Investir em música: Royalties ou empresas de tecnologia?

Os investimentos em royalties envolvem a aquisição de direitos sobre receitas geradas por obras musicais.

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Publicado em 13/10/2026 às 11:51h Publicado em 13/10/2026 às 11:51h por Elanny Vlaxio
O aporte em uma startup de tecnologia depende do desenvolvimento do negócio (Imagem: Shutterstock)
O aporte em uma startup de tecnologia depende do desenvolvimento do negócio (Imagem: Shutterstock)
Investir no mercado musical pode significar comprar direitos sobre receitas de músicas ou apostar em empresas de tecnologia que buscam transformar a indústria. Embora o crescimento do streaming e das reproduções amplie as oportunidades do setor, cada alternativa apresenta fontes de retorno, riscos e prazos diferentes para recuperar o capital. 
Nesse cenário, André Izidro e Odilon Borges, fundadores da Atabaque e do RUMPI, explicam as particularidades dos investimentos e o papel da tecnologia na valorização dos ativos musicais.
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Royalties musicais ou tecnologia: Quais são as diferenças?

Os investimentos em royalties envolvem a aquisição de direitos sobre receitas geradas por obras musicais. Já o aporte em uma startup de tecnologia depende do desenvolvimento do negócio, da adesão dos clientes e da capacidade de transformar a solução em uma operação escalável.
Segundo André Izidro, um dos desafios dos fundos que compram royalties está na verificação dos direitos envolvidos. A complexidade jurídica do mercado musical exige processos de due diligence que demandam tempo e recursos. Mesmo após essas análises, ainda pode haver incertezas sobre a regularidade de todo o catálogo, o que leva à aplicação de descontos.
O RUMPI, por sua vez, busca atuar nesse problema por meio de uma tecnologia voltada à certificação de ativos musicais, com a proposta de garantir que estejam 100% clear, ou seja, com os direitos devidamente esclarecidos e regularizados.
O executivo ressalta que desenvolver uma solução desse tipo exige mais do que conhecimento tecnológico. É necessário compreender as particularidades do setor e construir uma dinâmica que estimule os artistas a participar dessa nova cultura. Segundo ele, a experiência no mercado musical foi fundamental para criar uma ferramenta alinhada às necessidades dessa indústria.

O que avaliar antes de investir em uma startup musical?

No caso de empresas em estágio inicial, a análise do investidor deve considerar aspectos como a existência de clientes pagantes, a receita recorrente, o nível de desenvolvimento do produto e a utilização dos recursos captados. Esses indicadores ajudam a avaliar a aderência da solução ao mercado e as possibilidades de expansão, embora não eliminem os riscos do negócio.
Izidro afirma que o RUMPI já está em fase de testes há algum tempo e que a equipe identificou uma demanda a ser atendida. Ele destaca, porém, que o mercado musical apresenta particularidades que exigem conhecimento aprofundado, mesmo com o uso de IA (inteligência artificial).
De acordo com o fundador, o retorno dos participantes do setor tem indicado que a empresa está avançando na direção esperada, inclusive com clientes pagantes. Nesse estágio, a captação de recursos é considerada essencial para ampliar a operação.
O investimento em uma startup, portanto, depende da capacidade de transformar uma necessidade identificada em um produto comercialmente viável e de conquistar espaço em um mercado complexo. 
Diferentemente da aquisição de royalties, em que o investidor busca receitas associadas aos direitos musicais, o aporte em tecnologia está ligado ao desenvolvimento e à expansão da empresa.

Crescimento da economia da música não garante retorno

O avanço do streaming e o aumento das reproduções musicais ampliam as perspectivas para a indústria, mas não significam que qualquer investimento relacionado ao setor será rentável.
Para avaliar uma oportunidade, é necessário distinguir o crescimento geral do mercado da capacidade de uma empresa específica de gerar receitas, conquistar clientes e sustentar sua operação.
Izidro observa que as operações de fusões e aquisições estão aquecidas no mercado musical e que o movimento vai além da compra de catálogos. Segundo ele, empresas de tecnologia capazes de validar ou certificar ativos também vêm alcançando valuations bilionários em dólares.
“Embora o crescimento da receita e do streaming no setor seja um fato para os próximos anos, a tecnologia pode fazer com que o mercado seja cada vez mais comercializável como commodity”, afirma o fundador.
A avaliação reforça a importância de observar como a tecnologia pode contribuir para tornar os ativos musicais mais transparentes e comercializáveis.
Ainda assim, a perspectiva de expansão do setor não elimina os riscos de investir em empresas jovens, incluindo a possibilidade de demora para obter retorno, dificuldade de vender a participação e perda integral do capital aplicado.