Para ser um investidor endinheirado de verdade, mais conhecido como private, os grandes bancos consideram o seleto grupo daqueles com patrimônio aplicado em bolsa de valores superior a R$ 5 milhões. E, apesar das quedas
retumbantes dos juros compostos ao longo de 2026, esse perfil de investidor não abandona a
renda fixa brasileira.
Os dados mais recentes publicados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta semana apontam que 45,9% da carteira dos investidores private é composta por
renda fixa no fechamento de julho. No mesmo mês em 2021, apenas 20,5% do portfólio dos endinheirados estava aplicado na renda fixa.
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Em contraste, a carteira do investidor de varejo tradicional (pessoas físicas com menos de R$ 100 mil na bolsa de valores) e de alta renda (pessoas físicas com patrimônio em bolsa de valores entre R$ 100 mil e R$ 5 milhões) viu a posição da
renda fixa cair de 79,6% em julho de 2021 para presença de 66,3% no mesmo mês em 2026.
Se antes a renda fixa era apenas a terceira colocada na carteira dos endinheirados, agora é a classe de investimentos mais representativa, superando
ações,
fundos imobiliários,
multimercados e outras aplicações na renda variável. E o patrimônio de quem é private, só em renda fixa, mais do que triplicou desde meados de 2021, saindo de R$ 360,6 bilhões para R$ 1,28 trilhão.
“As taxas foram o grande chamariz, mas vieram acompanhadas de uma ampliação importante da oferta. O cliente private passou a ter acesso a mais emissores e a novas estruturas de crédito privado, o que tornou a
renda fixa não só mais rentável, como também mais diversificada dentro da própria classe”, afirma Luiz Henrique Carvalho, gerente de Distribuição da Anbima.
Os
fundos de renda fixa são a forma predileta dos endinheirados de aplicar no mundo dos juros compostos, com aumento de +331,8% em cinco anos, passando de R$ 81,2 bilhões em julho de 2021 para R$ 350,6 bilhões em julho de 2026. Já a participação deles nas carteiras passou de 4,7% para 12,5%. Enfim, a
poupança é o investimento menos utilizado pelos clientes private, somando R$ 6,4 bilhões em valores absolutos e ocupando apenas 0,2% da carteira.