Ibovespa recua 1% com pressão externa; BB (BBAS3) sobe 4,5% e desafia o mau humor

O Ibovespa caiu 1,02% e fechou aos 187.766 pontos, pressionado pelo tom defensivo global e por quedas acima de 1% em Wall Street.

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Publicado em 12/02/2026 às 18:50h - Atualizado 4 minutos atrás Publicado em 12/02/2026 às 18:50h Atualizado 4 minutos atrás por Matheus Silva
O dólar comercial voltou a subir, avançando 0,25% e fechando a R$ 5,20 (Imagem: Shutterstock)
O dólar comercial voltou a subir, avançando 0,25% e fechando a R$ 5,20 (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Ibovespa (IBOV) encerrou o pregão em queda de 1,02%, aos 187.766 pontos, devolvendo parte do fôlego do último pregão em meio a um ambiente global mais defensivo. 
O movimento refletiu principalmente o mau humor em Wall Street, onde os principais índices recuaram mais de 1% diante de novas dúvidas sobre a sustentabilidade dos lucros no setor de tecnologia.
O dólar comercial voltou a subir, avançando 0,25% e fechando a R$ 5,20, enquanto os juros futuros tiveram sessão mista. O mercado local, mais uma vez, seguiu o compasso externo, com investidores ajustando posições antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos.

Tecnologia e IA voltam ao centro das preocupações

O gatilho para a deterioração do humor global veio de revisões de perspectiva no setor de tecnologia, com destaque para margens mais fracas indicadas pela Cisco. A leitura do mercado trouxe à tona o debate sobre o retorno efetivo dos investimentos em inteligência artificial, tema que sustenta boa parte do rali recente das bolsas americanas.
O movimento gerou rotação para setores defensivos, como bens de consumo essenciais e utilities, mas não foi suficiente para sustentar os índices. A queda da prata e de ativos cíclicos reforçou o viés de aversão ao risco.
Com o CPI no radar, investidores preferiram reduzir exposição antes de um dado que pode redefinir expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Serviços no Brasil indicam perda de fôlego

No cenário doméstico, o volume de serviços de dezembro veio abaixo do esperado, indicando desaceleração na margem. Embora 2025 tenha sido um ano de crescimento relevante para o setor, os dados finais apontam menor tração no quarto trimestre, reforçando projeções de PIB próximo da estabilidade no encerramento do ano.
O mercado agora aguarda os números do varejo, que podem ajudar a calibrar expectativas para a atividade no início de 2026.

Banco do Brasil surpreende e sobe 4,5%

O destaque positivo do dia foi o Banco do Brasil (BBAS3). Mesmo em meio ao ambiente defensivo, as ações dp banco avançaram 4,50%, após divulgar resultados acima das expectativas no quarto trimestre.
Apesar das dúvidas ainda presentes sobre qualidade da carteira, especialmente no agronegócio, o mercado reagiu ao lucro superior ao consenso e ao discurso mais firme da administração sobre a estratégia para 2026.
O desempenho do BB, porém, não contaminou o restante do setor. Itaú (ITUB4) recuou 2,29%, Bradesco (BBDC4) caiu 1,44% e Santander (SANB11) cedeu 4,88%, refletindo a postura mais cautelosa dos investidores.

Balanços movimentam ações individuais

A temporada de resultados continuou a gerar volatilidade. A Braskem (BRKM5) despencou 11,27% após a revelação de um “calote” bilionário envolvendo o Banco do Brasil, enquanto a Petrobras (PETR4) caiu 2,55%, acompanhando o petróleo no exterior.
Na ponta positiva, Ambev (ABEV3) subiu 4,76% com volumes mais fortes no segmento de cerveja no Brasil. Assaí (ASAI3) avançou 5,09% após balanço e anúncio de parceria com o Mercado Livre (MELI34), e Riachuelo (RIAA3) ganhou 2,93% depois de superar expectativas no quarto trimestre.
A Vale (VALE3) encerrou o dia em leve queda, com o mercado à espera dos números e atento à política de dividendos.

Entre cautela e oportunidade

O pregão refletiu um mercado dividido entre proteção e busca por oportunidades pontuais. O exterior impôs o tom defensivo, mas balanços sólidos mostraram que há espaço para reprecificação seletiva.
📊 Com o CPI nos EUA e os próximos dados domésticos no radar, a tendência é de manutenção da volatilidade no curto prazo, especialmente às vésperas do feriado prolongado.