O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece identificado como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à offshore Alcazar Holdings, empresa que detinha participação em um jatinho utilizado pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14) pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com base em documentos reunidos pela PF (Polícia Federal) durante investigações sobre fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social. Flávio e o advogado Willer Tomaz negam ter mantido uma conta conjunta.
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A conta estava registrada no Santander em nome da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e administrada por Tomaz. Segundo os investigadores, o cadastro atribuía ao senador um nível elevado de acesso e gerenciamento dos recursos da companhia.
A offshore detinha um terço da participação na Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., empresa proprietária de um jato executivo Embraer Legacy 650, de matrícula PP-NLR.
A aeronave foi utilizada por Flávio em uma viagem entre os Estados Unidos e o Brasil, em janeiro de 2025. Uma das outras cotistas era a Prime You, da qual Vorcaro foi sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025.
E-mail ao Santander cita retirada de contas
Um dos elementos analisados pela PF é uma troca de e-mails em maio de 2025, recuperada do iCloud de Willer Tomaz. Na mensagem, enviada pela secretária Fayla Menezes ao Santander, foi solicitada a inclusão de um novo nome no perfil master da Alcazar Holdings, além da desvinculação de duas contas bancárias.
Entre as identificações mencionadas estavam uma associada a Flávio Bolsonaro e outra descrita como “conta PF Willer”. Naquele dia, o banco confirmou a exclusão das contas do contrato. Para a Polícia Federal, o registro indica que o senador teria tido “nível elevado de acesso e gerenciamento” à conta.
Flávio e advogado contestam interpretação da PF
A assessoria do senador negou que ele tenha mantido uma conta na condição apontada pelos investigadores. Segundo a equipe, o próprio e-mail encaminhado ao banco demonstraria que a associação era indevida e que houve um pedido para desfazê-la.
Em manifestação sobre o caso, a assessoria afirmou que Flávio “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”.
O advogado também rejeitou a interpretação dos investigadores. “O e-mail enviado ao Santander não demonstra o contrário. Extrair desse documento uma eventual participação econômica ou societária é ilação”, declarou.