Flávio Bolsonaro fala em "projeto de Deus" e nega projeto de Poder; veja destaques à Globo

O candidato do PL à Presidência disse que respeitará a manutenção do fim da escala 6x1 em eventual governo.

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Publicado em 16/10/2026 às 23:27h - Atualizado em 16/10/2026 às 23:52h Publicado em 16/10/2026 às 23:27h Atualizado em 16/10/2026 às 23:52h por Lucas Simões
Flávio Bolsonaro revelou qual será o papel de seu pai, Jair, caso vença as Eleições 2026 (Imagem: Reprodução/TV Globo)
Flávio Bolsonaro revelou qual será o papel de seu pai, Jair, caso vença as Eleições 2026 (Imagem: Reprodução/TV Globo)
O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL/Rio de Janeiro) encerrou, na noite desta sexta-feira (16), a série de sabatinas da TV Globo com os dois presidenciáveis que disputam o 2º turno das Eleições 2026.
Sob a condução da jornalista Renata Lo Prete, o candidato do PL já começou a entrevista sendo confrontado sobre especulações do mercado financeiro sobre medidas econômicas em seu eventual governo.
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Flávio Bolsonaro respondeu que manterá reajustes de salário mínimo, aposentadorias e pisos de saúde e educação todos acima da inflação vigente, sem penalizar os mais pobres, ao mesmo tempo que manteria o equilíbrio das contas. "Vamos cortar pelo menos 10 ministérios", disse o candidato, como uma das medidas rumo ao ajuste fiscal.
A jornalista da TV Globo emendou à agenda econômica, qual era o posicionamento do parlamentar diante da promulgação do fim da jornada de trabalho 6 por 1, que garante um dia a mais de folga remunerada por semana a cerca de 15 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Lo Prete relembrou que Flávio Bolsonaro era crítico à pauta que foi encampada pelo governo Lula diante do elevado apelo com o eleitorado. 
"Sempre defendi que os trabalhadores tivessem liberdade para escolher sua jornada de trabalho. Isso aqui tá respeitado [sobre a manutenção da escala 6x1], nenhum questionamento quanto a isso", respondeu Flávio Bolsonaro, apesar de acrescentar que teria uma medida melhor que daria mais flexibilidade aos trabalhadores, mas preferiu ouvir a voz do povo. 

Sem projeto de Poder

No meio da sabatina, a jornalista resgatou a bandeira de campanha de Flávio Bolsonaro, que defende o fim da reeleição à Presidência da República. Ao mesmo tempo, Lo Prete embutiu no questionamento ao candidato os temores da sociedade civil de que a família Bolsonaro articularia um projeto para se perpetuar no Poder.
"Partiu de mim apresentar uma PEC para acabar com a reeleição de mandato no Brasil. Eu só quero um mandato para consertar o nosso país", acenou Flávio Bolsonaro, contra o mecanismo instituído desde a era FHC. Somente o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato do PL, não conseguiu se reeleger.
"Ele [Lula] já gastou R$ 350 bilhões para tentar ganhar. Ele está concorrendo pela sétima vez nas eleições. Não quero começar um mandato já pensando na próxima eleição, pois não tenho projeto de poder da minha parte. Pra mim é projeto de Deus, um projeto de nação, não é projeto de poder", rebateu Flávio Bolsonaro, sobre as possibilidades de seu pai ou irmãos assumirem a presidência logo após.
Ao entrar no tema de reforma do Poder Judiciário, o candidato do PL deixou claro que todos precisam estar abaixo da lei, inclusive os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), desvencilhando-se do suposto envolvimento do ministro Kássio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, com ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e se ele deveria ser investigado.
"O presidente [Jair] Bolsonaro foi condenado por uma farsa, condenado por seus inimigos. Nunca queiram ser julgados pelos seus inimigos. Muitos são os vícios desse julgamento. E, no meu governo, o meu pai vai ser você, o povo brasileiro. Eu tenho o privilégio de poder consultar um ex-presidente como meu pai", disse Flávio Bolsonaro, negando que seu pai terá cargo direto caso vença a corrida ao Palácio do Planalto.

Dark Horse

O pedido de patrocínio ao filme documentário Dark Horse, em homenagem à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, também veio à tona ao longo da sabatina.
Para Flávio Bolsonaro, tudo não passou de um pedido de patrocínio com dinheiro privado que ele havia solicitado ao então banqueiro Daniel Vorcaro, que atualmente se encontra preso preventivamente no Complexo da Papuda, em Brasília.
Lo Prete foi enfática em escrutinar o entrevistado sobre o porquê de o parlamentar ter justamente escolhido o Banco Master para patrocínio do filme Dark Horse, levando em conta a capilaridade do sistema financeiro brasileiro, que dispõe de inúmeros bancos e fintechs que poderiam ter sido acionados.
"Eu conversei com possíveis vários investidores, mas foi com ele [Vorcaro] que avançamos. O cobrei porque foi um contrato que não foi cumprido" explicou o candidato à Presidência.

Aliança com Trump

A jornalista da TV evocou a influência do governo Trump nas Eleições 2026, primeiramente questionando se o irmão do candidato do PL, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos e mantém linha de comunicação direta à Casa Branca, exerceria o cargo de chanceler em caso de vitória de Flávio Bolsonaro nas urnas no próximo dia 25 de outubro.
Em falas públicas, Flávio Bolsonaro disse que seu irmão era craque nas relações internacionais, mas deixou claro que Eduardo Bolsonaro não será chanceler.
"Ainda a história vai reconhecer que ele [Eduardo Bolsonaro] era um herói do povo brasileiro. Só que ele não será chanceler no meu governo", sinalizou o presidenciável, que logo emendou qual será o posicionamento do Brasil no combate à criminalidade na América Latina.
"Vamos declarar guerra contra os narcotraficantes. Vou declarar o PCC e Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. O Brasil vai fazer parte do Escudo das Américas [aliança de países criada por Donald Trump]. As Forças Armadas foram sucateadas no atual governo, mas eu vou recuperar tudo", apelou o candidato.

Quem será o próximo presidente?

Pressionado por Lo Prete, o candidato Flávio Bolsonaro finalmente respondeu se respeitaria ou não o resultado das urnas eletrônicas, inclusive em cenário de derrota contra o seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição.
"Vou disputar as eleições de acordo com as regras que tão aí, mas eu vou respeitar o que vier", disse Flávio Bolsonaro, mas reiterando que é a melhor opção para governar o país, que estaria nas mãos da criminalidade.
"Quem está autorizado a usar armas de guerra hoje no Brasil são os bandidos. A PEC da Segurança do Lula é pra controlar a polícia; já a que colocamos no Congresso Nacional é para controlar os bandidos. Eu vou investir em tecnologia, em inteligência artificial, e até uso câmeras privadas para prender os bandidos", destacou o entrevistado.
No encerramento da sabatina, Flávio Bolsonaro prometeu arrumar a economia, assegurando que os brasileiros terão mais dinheiro no bolso, pedindo encarecidamente votos aos telespectadores.