Dividendos da Petrobras (PETR4) podem decepcionar no 4T25, alerta BTG

Para o banco, os dividendos da estatal podem ser pressionados pela alta dos investimentos.

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Publicado em 03/02/2026 às 13:11h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 03/02/2026 às 13:11h Atualizado 1 minuto atrás por Marina Barbosa
Petrobras deve divulgar o balanço e os dividendos do 4T25 no dia 5 de março, após o fechamento do mercado (Imagem: Shutterstock)
Petrobras deve divulgar o balanço e os dividendos do 4T25 no dia 5 de março, após o fechamento do mercado (Imagem: Shutterstock)
A Petrobras (PETR4) bateu suas metas de produção em 2025. Ainda assim, pode liberar menos dividendos do que o esperado ao apresentar os resultados do quarto trimestre do ano, segundo o BTG Pactual.
Pelos cálculos do mercado, a estatal deve anunciar US$ 1,7 bilhão em dividendos junto com o balanço trimestral, previsto para o próximo dia 5 de março. 
O BTG, no entanto, diz que essa projeção é "otimista". O banco acredita que os dividendos do trimestre devem somar US$ 1,3 bilhão, o que representa um rendimento de 1,3%.

O que explica a cautela do BTG?

💲 Para o BTG, os dividendos podem ficar abaixo do esperado pelo mercado devido a uma possível aceleração dos investimentos da estatal no final do ano passado.
A Petrobras arrematou áreas dos campos de Mero e Atapu que pertenciam à União em um leilão realizado em dezembro, a um custo de R$ 6,97 bilhões. Além disso, fez um acordo de R$ 1,54 bilhão com PPSA (Pré-Sal Petróleo SA) para equalizar o pré-sal de Jubarte.
Diante disso, o BTG vê menos espaço para o pagamento de dividendos. Afinal, a Política de Remuneração aos Acionistas da Petrobras vincula o valor dos proventos ao fluxo de caixa livre da empresa, que diminui quando os investimentos crescem.
De acordo com essa política, a estatal deve distribuir 45% do fluxo de caixa livre (caixa operacional menos investimentos) aos acionistas sempre que a dívida bruta ficar abaixo do teto de endividamento definido no plano estratégico em vigor. 

O que fazer com as ações?

🔎 Diante dessa avaliação, o BTG mantém uma recomendação neutra em relação às ações da Petrobras.
O banco reforçou essa postura em relatório enviado a clientes nesta segunda-feira (2), citando uma "perspectiva financeira apertada", a baixa visibilidade do cenário político e econômico e "projeções pouco animadoras" para os dividendos.
O BTG projeta um DY (Dividend Yield) de 8% para a Petrobras em 2026, abaixo dos níveis atuais e do observado nos anos passados. 
Segundo dados do Investidor10, o DY da Petrobras passou de 20% em 2024 e chegou a encostar nos 68% em 2022.
✂️ O Bradesco BBI também rebaixou a recomendação para as ações da Petrobras, de compra para neutra, nesta terça-feira (3).
Considerando que as ações da Petrobras já subiram mais de 20% em 2026, o BBI vê um espaço limitado para novos ganhos e observou que a recente alta do petróleo foi resultado de fatores geopolíticos, que podem não se sustentar.
O BBI ainda projeta um DY de apenas 6,5% para a Petrobras em 2026, abaixo da média estimada para as petroleiras americanas (7%) e para empresas como a Vale (8%). Já para os próximos cinco anos, a expectativa é de um retorno com dividendos de 9%.
Diante disso, o BBI cortou a recomendação, mas elevou o preço-alvo para as ações da Petrobras, de R$ 40 para R$ 45, o que implica em um potencial de alta de mais 20%.
Na segunda-feira (2), as ações preferenciais da Petrobras fecharam cotadas a R$ 37,24, pressionadas por um recuo dos preços do petróleo. O papel, no entanto, sobe mais de 1% nesta terça-feira (3) e, com isso, opera acima dos R$ 37,50.
💰 Já o Goldman Sachs mantém uma recomendação de compra para as ações da Petrobras, mesmo diante da recente disparada do papel.
A tese se apoia em quatro pilares principais: desempenho operacional sólido, governança resiliente e uma visão construtiva de longo prazo para a demanda global por petróleo, além de dividendos elevados.
O Goldman projeta um dividend yield entre 9% e 10% para a Petrobras em 2026 e 2027, caso o petróleo do tipo Brent seja negociado ao redor de US$ 67 e US$ 65 por barril.