O mercado brasileiro abriu a semana reagindo com força ao resultado das urnas. Antes mesmo da abertura oficial da B3 nesta segunda-feira (5), o Ibovespa futuro subia mais de 9%, na região dos 211 mil pontos, e o dólar à vista abriu em forte queda, perto de R$ 4,98. Para efeito de comparação, na sexta-feira, véspera da eleição, o Ibovespa havia fechado aos 192.114 pontos, com o dólar a R$ 5,2165.
O movimento começou ainda no domingo à noite, em Nova York: o
EWZ, ETF que replica o Ibovespa em dólar, chegou a subir 8,72% por volta das 21h48 (horário de Brasília).
Por que o mercado reagiu assim
O gatilho foi a surpresa. A maior parte das pesquisas indicava vantagem de Lula (PT), mas Flávio Bolsonaro (PL) saiu numericamente na frente. Flávio somou 56,1 milhões de votos (47% dos válidos), contra 53,9 milhões do presidente (45,2%). É o pior desempenho percentual de Lula em um primeiro turno desde 1998, e o petista perdeu cerca de 3,4 milhões de votos em relação a 2022.
O otimismo dos investidores se apoia na aposta de que Flávio consiga atrair os votos dos demais candidatos da direita no segundo turno. Alejandro Cuadrado, do BBVA, avalia que ainda há espaço para volatilidade até a votação final, mas que a surpresa deve levar a uma reavaliação relevante das perspectivas para o Brasil.
Congresso mais à direita
Para além da corrida presidencial, o desenho do Senado também pesa na leitura do mercado sobre a agenda dos próximos anos. O PL elegeu 19 senadores e, somando os mandatos vigentes, deve ter 28 cadeiras a partir de 2027. Com os três senadores do Novo, os dois partidos reunirão 31 assentos, quase 40% da Casa. O PT manteve suas nove cadeiras, enquanto o PSD, do centrão, perdeu nove.
Nos estados, o PL, que hoje governa só Santa Catarina, terá ao menos cinco governadores em 2027, incluindo Paraná e Rio Grande do Sul, e ainda disputa o segundo turno no Rio de Janeiro e no Amazonas.
O que vem pela frente
A sustentação da alta depende das próximas pesquisas. Saadia, da Nomos, vê espaço para o Ibovespa chegar aos 200 mil pontos no curto prazo, condicionado aos levantamentos sobre o segundo turno. Do outro lado, Lula prometeu iniciar imediatamente uma nova campanha para virar o resultado na votação decisiva, o que mantém a disputa aberta e o risco de oscilações elevado nas próximas três semanas.