Dia das Crianças: Como investir para os filhos sem deixar a própria aposentadoria de lado?

O planejamento pode começar nos primeiros dias de vida.

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Publicado em 12/10/2026 às 07:00h Publicado em 12/10/2026 às 07:00h por Elanny Vlaxio
Além de investir, é importante preparar o orçamento para imprevistos (Imagem: Shutterstock)
Além de investir, é importante preparar o orçamento para imprevistos (Imagem: Shutterstock)
Neste Dia das Crianças, celebrado nesta segunda-feira (12), investir no futuro dos filhos pode ser uma forma de transformar a data comemorativa em um passo importante para a segurança financeira da família.
Para isso, os pais precisam definir quando os recursos serão utilizados, seja para custear a faculdade, financiar um intercâmbio ou ajudar os jovens no início da vida adulta. Ao mesmo tempo, é fundamental construir uma reserva para a própria aposentadoria, evitando que o sustento dos pais recaia sobre os filhos no futuro.
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O planejamento pode começar nos primeiros dias de vida. Como o CPF já consta na certidão de nascimento, é possível abrir uma conta de investimentos para o bebê desde cedo. 
Para Vitor Duarte, diretor de investimentos da Suno Asset, começar antecipadamente facilita a formação do patrimônio. Ele aplicou essa estratégia com os dois filhos, de 8 e 4 anos, combinando títulos do Tesouro IPCA+ com vencimentos próximos aos 17 ou 18 anos de cada criança e cotas de um fundo de ações.
O tempo é um dos principais aliados dessa estratégia, como explica Sigrid Guimarães, sócia-fundadora e CEO da Alocc Family Office. 
"Quanto mais cedo se começa, menor tende a ser o esforço de poupança necessário para alcançar o objetivo, porque o tempo e os juros compostos são grandes aliados na construção desse patrimônio. Isso permite se preparar para despesas futuras sem concentrar todo o esforço financeiro no momento em que elas chegam", explica.

Como escolher os investimentos para os filhos?

O primeiro passo é transformar os planos em metas financeiras. Segundo Guimarães, os pais devem estimar o custo de objetivos como um intercâmbio, a faculdade ou o chamado "começo de vida", estabelecer quando precisarão do dinheiro e avaliar quanto conseguem investir regularmente.
"Com essas informações, é possível calcular os aportes e avaliar se o objetivo cabe no orçamento ou se precisa ser ajustado. Esse planejamento deve ser revisto ao longo do tempo, porque os custos, a renda da família e os planos dos filhos podem mudar", explica.
A escolha dos ativos também precisa considerar o prazo. Para Duarte, um erro recorrente é montar a carteira dos filhos com foco na geração de renda periódica, como se o objetivo fosse receber proventos regularmente."Ela não precisa gerar renda com um, dois, dez ou doze anos. Não vai viver daquilo, e aquilo não vai ser a mesada dela", diz Duarte.
Na avaliação do executivo, a prioridade deve ser selecionar ativos que combinem rentabilidade e segurança ao longo de um horizonte que pode chegar a duas décadas. Ele também recomenda evitar produtos excessivamente complexos, como operações estruturadas vinculadas ao dólar ou ao milho com vencimento em cinco anos. 
Depois desse período, seria necessário reinvestir os recursos sem saber quais taxas estarão disponíveis. Duarte sugere aproveitar o nível elevado dos juros de longo prazo para assegurar antecipadamente uma remuneração até o momento em que os filhos atingirem a maioridade.

A aposentadoria dos pais também precisa entrar na conta

A construção de patrimônio para os filhos não deve ocorrer às custas da estabilidade financeira dos pais. Guimarães ressalta que garantir o próprio futuro também significa proteger os filhos de uma eventual obrigação de sustentar os pais na velhice.
Bruna Kloppel, especialista em investimentos do Sistema Ailos, também defende que o planejamento familiar contemple a aposentadoria. Com o avanço da idade, as despesas com saúde tendem a aumentar, enquanto a capacidade de gerar renda pode diminuir.
"Uma das atitudes mais generosas que alguém pode ter com os filhos é se preparar para que, no futuro, eles não precisem assumir esse cuidado financeiro", afirma.
Nesse contexto, a previdência privada pode ser uma alternativa para formar uma reserva de longo prazo. Kloppel recomenda considerar esse instrumento diante do envelhecimento acelerado da população brasileira.
Na tabela regressiva do Imposto de Renda, a alíquota pode chegar a 10% após dez anos. Além disso, contribuintes que utilizam a declaração completa podem deduzir aportes em planos PGBL de até 12% da renda tributável, inclusive aqueles realizados em nome de dependentes, respeitadas as regras aplicáveis.
Para alimentar essa reserva, a especialista recomenda priorizar a regularidade dos aportes. Guardar quantias menores todos os meses tende a ser mais eficiente do que esperar sobrar dinheiro no orçamento. Dedicar alguns minutos por semana ao acompanhamento das despesas também ajuda a identificar oportunidades de economia.

Seguro ajuda a proteger a renda da família

Além de investir, é importante preparar o orçamento para imprevistos que possam comprometer as despesas domésticas, a educação dos filhos e a aposentadoria dos pais.
Fernando Brito, sócio da Globus Seguros, afirma que a contratação de um seguro deve levar em conta as necessidades financeiras da família e o padrão de vida que ela pretende preservar.
“O importante do seguro não é ganhar dinheiro, é recompor a renda. É preciso entender quanto a família tem de renda e quanto seria necessário para manter aquele padrão de vida caso essa renda deixe de existir”, explica Brito.

Despesas com os filhos exigem escolhas conscientes

O equilíbrio entre os objetivos de longo prazo e os gastos cotidianos também depende de como a família administra o dinheiro. Um estudo do Insper aponta que a criação dos filhos pode consumir cerca de 30% da renda familiar.
Kloppel observa que parte desse orçamento pode ser direcionada a compras pouco aproveitadas, como brinquedos que acabam esquecidos, ou a gastos feitos para evitar contrariar as crianças. Para a especialista, é importante avaliar se essas despesas realmente contribuem para o bem-estar familiar e para a qualidade de vida dos filhos.
Na família de Duarte, a educação financeira começa com a mesada. O filho mais velho, de 8 anos, recebe uma quantia semanal, em vez de mensal, porque um período de quatro semanas ainda é longo para sua idade. 
Ele também aprende a lidar com as consequências das próprias escolhas: brinquedos comprados fora das ocasiões combinadas são pagos com o próprio dinheiro, enquanto o presente de Dia das Crianças fica por conta dos pais.
As partidas de Banco Imobiliário também viraram uma oportunidade de aprendizado. Durante o jogo, o menino já começou a entender como imóveis e empresas podem gerar receitas por meio de aluguéis e dividendos. Para Guimarães, ensinar os filhos a administrar o dinheiro precisa fazer parte da rotina familiar e respeitar cada etapa do desenvolvimento.