Como forma de o governo brasileiro tirar do papel mais projetos de infraestrutura estratégicos ao país, os investidores de
renda fixa têm a chance de aplicar em
debêntures incentivadas, ou seja, emprestar dinheiro para empresas colocarem a mão na massa e receber de volta o acréscimo de
juros compostos, sem pagar um centavo de imposto de renda.
Fica difícil saber se 2026 conseguirá superar tantos recordes nesse tipo de renda fixa, uma vez que só entre janeiro e novembro de 2025, as debêntures incentivadas movimentaram R$ 150,7 bilhões, o que já supera a captação das empresas em todos os anos anteriores, conforme dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
“Interessante notar como o setor de transporte e logística vem ganhando espaço e já está em um patamar semelhante ao de energia elétrica, impulsionado pelos programas de concessões. É mais um aspecto a ser observado em um ano com resultados robustos em que a relevância do instrumento mais uma vez ficou evidente”, afirma Cristiano Cury, coordenador da Comissão de Renda Fixa.
O prazo médio de vencimento dos papéis chegou a 12,9 anos, bem acima dos 5,7 anos observados nas debêntures corporativas (sem benefício fiscal) no mesmo período, elevando a média do instrumento como um todo a 8,2 anos.
Quem mais coloca dinheiro em debêntures incentivadas são os
fundos de investimento, cuja participação é de 33,3% do total, o que corresponde a R$ 45,9 bilhões contabilizados de janeiro a novembro, patamar bem acima do montante registrado em 2024 inteiro (R$ 35,8 bilhões).
Já as negociações que ocorrem nas corretoras de valores pelos investidores pessoa física, o chamado mercado secundário, mostram um volume de R$ 316 bilhões em tais títulos de renda fixa incentivados no acumulado dos onze primeiros meses de 2025 e com crescimento de +24,2% na comparação com o mesmo período em 2024.
Emprestar dinheiro para empresas
As emissões totais de
debêntures (simples e incentivadas) atingiram R$ 433 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, valor recorde para esse intervalo, com aumento 6,8% em relação ao mesmo período em 2024.
Já no mercado secundário, as negociações do instrumento totalizaram R$ 870,5 bilhões no ano, patamar também inédito e com aumento de 34,6% nesse comparativo.
Isso mostra que cada vez mais os investidores topam também emprestar parte do seu patrimônio diretamente para empresas e não concentrar todas as suas fichas no
Tesouro Direto, que, embora seja bem mais seguro e de baixo risco de crédito, paga bem menos juros compostos.
Todavia, é preciso salientar que o dinheiro aplicado em debêntures, seja qual for a natureza, não conta com a proteção do
FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Daí, a importância do investidor procurar as recomendações de analistas do mercado financeiro, que acompanham a saúde financeira das companhias e são capazes de identificar onde estão as oportunidades no chamado crédito privado.