Debate entre Lula e Flávio decepciona eleitores indecisos, aponta pesquisa

Levantamento qualitativo do Instituto Travessia acompanhou 12 pessoas durante o confronto e identificou críticas ao comportamento dos candidatos.

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Publicado em 19/10/2026 às 10:00h Publicado em 19/10/2026 às 10:00h por Wesley Santana
Candidatos se enfrentam nas urnas no próximo domingo pelo segundo turno (Imagem: Reprodução/TV Band)
Candidatos se enfrentam nas urnas no próximo domingo pelo segundo turno (Imagem: Reprodução/TV Band)

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram na noite do último domingo (19) pela primeira vez em um debate. O evento foi promovido pela TV Bandeirantes e outros veículos de imprensa que formaram um pool.

A ideia do debate era mostrar aos eleitores a diferença dos projetos, mas não foi bem isso que aconteceu. As duas horas de duração foram marcadas por ataques mútuos e por falas que geram cortes nas redes sociais.

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No entanto, durante esse mesmo período, uma pesquisa qualitativa era realizada, com o objetivo de aferir a avaliação dos eleitores em relação aos programas de governo. O levantamento foi realizado pelo Instituto Travessia, a pedido do Estadão, que acompanhou a reação de 12 eleitores em tempo real.

A formação era a seguinte: 4 eleitores de Lula, 4 eleitores de Flávio e 4 indecisos. Foram distribuídos cartões coloridos para sinalizar reações ao longo do debate.

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De modo geral, todos os eleitores foram críticos à maneira como os candidatos à Presidência da República se comportaram. “Decepção”, “tristeza” e “vergonha” foram alguns dos sentimentos relatados pelos entrevistados ao final do evento.

“O primeiro bloco, sobretudo, teve uma carga emocional muito pesada, o que prejudicou as avaliações ao longo do debate. O tom do confronto baixou as expectativas em relação aos candidatos e deixou os eleitores desanimados quanto às perspectivas para o futuro. Lula pareceu repetitivo e um tanto demagogo, enquanto Flávio soou vazio e agressivo demais”, avaliou o cientista político Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia, que coordenou a pesquisa.

Ao final do embate, apenas um dos eleitores mudou sua posição. Um dos indecisos decidiu votar em Lula neste segundo turno, conforme relata a reportagem, porque o candidato do PL teria apresentado uma postura “imatura” e “sem capacidade” para governar.

Já para os outros indecisos, o debate parece não ter sido muito conclusivo. A reportagem relata, ainda, que um dos três restantes já cogita votar nulo no próximo domingo, pensamento que representa parte do eleitorado que já o fez no primeiro turno das eleições gerais.

“Lula foi bem na abordagem de políticas sociais, ele fala com convicção sobre o assunto. Mas foi mal na questão das saidinhas, pois pareceu defendê-las. Flávio agradou com um discurso incisivo sobre segurança, mas sua proposta para a saúde pareceu falsa quando disse que teremos um SUS no nível do Hospital Albert Einstein”, diz Dorgan.