CPFL (CPFE3) lucra R$ 1,56 bi no 4T25 e anuncia R$ 4,3 bi em dividendos

No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 5,74 bilhões, praticamente estável frente aos R$ 5,76 bilhões de 2024.

Author
Publicado em 05/03/2026 às 20:24h - Atualizado Agora Publicado em 05/03/2026 às 20:24h Atualizado Agora por Matheus Silva
Também foi anunciada uma proposta de pagamento de dividendos de R$ 4,3 bilhões (Imagem: Shutterstock)
Também foi anunciada uma proposta de pagamento de dividendos de R$ 4,3 bilhões (Imagem: Shutterstock)
💰 A CPFL (CPFE3) divulgou nesta quinta-feira (5) lucro líquido de R$ 1,565 bilhão no quarto trimestre de 2025, leve queda de 0,6% na comparação anual, mas acima da expectativa média de analistas, de R$ 1,3 bilhão, segundo estimativas compiladas pela LSEG.
O Ebitda avançou 4% na base anual, para R$ 3,41 bilhões, superando a projeção de mercado de R$ 3,15 bilhões.
No acumulado de 2025, o lucro somou R$ 5,74 bilhões, praticamente estável frente aos R$ 5,76 bilhões de 2024.
Em paralelo ao balanço, a companhia controlada pela chinesa State Grid anunciou dois movimentos de peso, sendo um novo plano de investimentos de R$ 31,1 bilhões para o ciclo 2026-2030 e uma proposta de pagamento de dividendos de R$ 4,3 bilhões referentes a 2025.

Maior plano e maior dividendo desde o re-IPO de 2019

O CEO da CPFL, Gustavo Estrella, classificou os anúncios como marcos para a companhia. "É o maior plano plurianual de investimentos da história do grupo. E também é o maior volume de pagamentos de dividendos desde o nosso 're-IPO' em 2019. A gente segue aqui mantendo crescimento, combinado com pagamento de dividendos", afirmou o executivo em entrevista à Reuters.
O resultado anual foi considerado "sólido" pelo CEO diante de fatores adversos, como perdas por cortes de geração de energia e maior custo da dívida em um ambiente de juros elevados.
Em 2025, a CPFL executou um aporte de R$ 6,1 bilhões, valor recorde para a companhia.

Distribuição concentra a maior fatia dos investimentos

Do total previsto para 2026-2030, R$ 25,3 bilhões serão destinados ao segmento de distribuição, com foco no fortalecimento das redes elétricas para eventos climáticos extremos, digitalização e automação, incluindo a instalação de religadores e medidores inteligentes.
A transmissão de energia também figura como aposta de crescimento da companhia, com R$ 4,5 bilhões previstos até 2030. Estrella sinalizou interesse nos leilões previstos para este ano.
"Tem algumas outras oportunidades que vão vir nesses próximos leilões que possivelmente casam com a nossa estratégia de crescimento", afirmou, acrescentando que a empresa busca projetos que envolvam redes menores com tensões mais baixas.
O desempenho financeiro do trimestre foi sustentado pelas quatro distribuidoras do grupo, que registraram redução superior a 26% na PDD (Provisão para Devedores Duvidosos), com contribuição adicional dos reajustes tarifários.

Cortes de geração seguem como principal desafio

O segmento de geração continua sendo o principal ponto de pressão nos resultados da CPFL. As usinas eólicas do grupo sofreram cortes de geração de cerca de 30% em média, com impacto total de mais de R$ 500 milhões em 2025. Em janeiro deste ano, os cortes seguiam no mesmo patamar.
"Os cortes de geração seguem vindo forte, em janeiro desse ano segue na casa de 30%. A gente parcialmente resolve (o impacto retroativo dos cortes) com a lei aprovada no final do ano passado, mas ainda segue como desafio olhando para frente, dado que a solução não cobre 100% dos impactos financeiros que a gente tem", disse Estrella.
📈 O CEO avalia que a lei que determinou ressarcimentos às empresas pelos cortes de geração até o fim de 2025 será regulamentada ao longo deste ano, permitindo que a CPFL reconheça esses valores no balanço ainda em 2026.