Copasa (CSMG3): Minas prepara venda de estatal em IPO secundário

Recursos serão usados para abater dívida com a União que passa de R$ 180 bilhões.

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Publicado em 29/01/2026 às 12:15h - Atualizado 12 minutos atrás Publicado em 29/01/2026 às 12:15h Atualizado 12 minutos atrás por Wesley Santana
Copasa é a estatal que oferece tratamento de água e esgoto em Minas Gerais (Imagem: Shutterstock)
Copasa é a estatal que oferece tratamento de água e esgoto em Minas Gerais (Imagem: Shutterstock)

A privatização da Copasa (CSMG3) deve finalmente sair nas próximas semanas, conforme prospecto publicado pelo Governo de Minas Gerais, que é o sócio majoritário da companhia. No entanto, as ações subsequentes devem ser disponibilizadas ao mercado em uma oferta secundária de ações, de acordo com o documento que veio a público nesta quarta-feira (28). 

A ideia é que quase a totalidade das ações que hoje estão nas mãos do governo mineiro fiquem disponíveis aos investidores na bolsa. Mais de 50% do capital social é de propriedade estatal, mas deve ir ao balcão quando o IPO secundário for realizado.

O prospecto também fala sobre a figura do investidor estratégico, que é quem vai ter pelos menos 5% da fatia da companhia. Neste caso, caso não haja nenhum interessado, Minas deve ficar com esse pedaço para garantir a continuidade das operações.

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O documento ainda destaca que todo o valor arrecadado será usado no pagamento de dívidas que Minas tem com a União. Estima-se que o estado deva quase R$ 181 bilhões ao governo federal, número que vem crescendo de forma exponencial nos últimos meses. 

Atualmente, a Copasa já negocia suas ações na bolsa de valores. Os papeis que circulam, porém, representam apenas uma fatia do capital social da companhia estatal. 

Nesta quinta-feira (29), o ativo negocia com baixa de 0,3%, aos R$ 51,20, conforme dados da B3. Apesar disso, desde o início deste ano, os papeis acumulam valorização de 17%, figurando entre os melhores desempenhos do Ibovespa neste primeiro mês do ano. 

Reunião com prefeituras

Antes de vender a empresa pública, o governo mineiro precisa entender como vai ficar o serviço de água nas cidades abastecidas pela Copasa. Por isso, o governador Romeu Zema tem feito sucessivas reuniões com líderes dos Executivos municipais a fim de explicar a operação. 

Isso foi necessário depois que o Tribunal de Contas do MG foi acionado para intervir no negócio, afirmando que os gestores não estavam sendo orientados. Cerca de 635 municípios do estado são atendido pela Copasa, que é uma das maiores companhias de tratamento de água e esgoto do país.

“Esse momento de diálogo é para que a gente possa avançar com metas claras, com garantias de universalização para os municípios que têm concessão da Copasa, e investimentos pós processo de desestatização”, disse Marília por meio de nota divulgada pela Copasa.

Esse é um expediente comum na privatização de empresas que atendem diferentes municípios. Em São Paulo, no contexto da venda da Sabesp (SBSP3), o governo paulista adotou o mesmo tom.