Concorrência para a SpaceX? Startups avançam com foguetes próprios

Stoke e The Exploration Company levantaram quase US$ 1,5 bilhão para financiar o projeto.

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Publicado em 09/09/2026 às 12:39h Publicado em 09/09/2026 às 12:39h por Marina Barbosa
A Stoke pretende lançar o seu primeiro foguete no início de 2027 (Imagem: Divulgação)
A Stoke pretende lançar o seu primeiro foguete no início de 2027 (Imagem: Divulgação)
A SpaceX (SPCX34) domina o mercado aeroespacial global, mas corre o risco de enfrentar uma concorrência mais acirrada nos próximos anos, pois tem crescido o número de empresas desenvolvendo seus próprios foguetes.
As startups Stoke e The Exploration Company, por exemplo, levantaram quase US$ 1,5 bilhão em novos recursos só nesta semana para avançar com esse plano. Já a Isar Aerospace acaba de colocar os seus primeiros satélites em órbita.

Stoke

💰 Só a Stoke captou US$ 1 bilhão em uma rodada de financiamento, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de foguetes de rápida reutilização, que prometem facilitar e baratear o acesso ao espaço.
Para isso, a empresa desenvolveu o foguete de médio porte Nova Pathfinder e pretende colocá-lo em órbita já no início de 2027. Ao mesmo tempo, trabalha no desenvolvimento de um foguete de maior capacidade, chamado de Nova Block 2, previsto para 2029.
"Este investimento nos permite expandir para oferecer a capacidade e a frequência que nossos clientes exigem", afirmou o cofundador e CEO da Stoke, Andy Lapsa.
A rodada de investimentos foi coliderada pela Point72 Ventures, que elevou a aposta na empresa por acreditar que o projeto vem progredindo de forma satisfatória.
A Stoke é uma startup criada nos Estados Unidos, que tem recebido o apoio de importantes departamentos do governo americano na construção dos seus foguetes reutilizáveis.
A empresa tem, inclusive, uma parceria com a Nasa para o desenvolvimento de tecnologias de entrada, descida e pouso do veículo aeroespacial.

The Exploration Company

🚀 Já a The Exploration Company, ou TEC, levantou US$ 450 milhões em investimentos para ampliar a sua plataforma de transporte aeroespacial reutilizável. Foi a maior rodada de financiamento já obtida por uma empresa com sede na União Europeia.
Esta é uma startup franco-alemã que se propôs a construir a primeira plataforma europeia de transporte espacial reutilizável, capaz de atender clientes e instituições além-fronteiras e ampliar a concorrência nesse mercado, que ainda é altamente concentrado nos Estados Unidos.
"Todos na Terra dependem da infraestrutura espacial, mas a capacidade de chegar, abastecer e retornar da órbita ainda é rara", explicou a fundadora e CEO da The Exploration Company, Hélène Huby.
Com esse investimento, a TEC pretende levar a sua primeira cápsula para a Estação Espacial Internacional e trazê-la de volta à Terra. Batizada de Nyx, a cápsula foi projetada para transportar cargas para o espaço, mas tem potencial para levar tripulação em um segundo momento.
Além disso, a empresa pretende acelerar o desenvolvimento do primeiro motor de foguete reutilizável de alto empuxo da Europa. Chamado de Storm, o equipamento deve ser a base de propulsão de um futuro lançador superpesado de foguetes europeu.
Além do apoio de investidores privados, a The Exploration Company conta com o suporte de um fundo de investimento da União Europeia nessa empreitada.
A startup ainda mantém contratos com a Agência Espacial Europeia e trabalha junto com a Nasa em atividades de qualificação e certificação técnica e de segurança, que devem apoiar futuras missões ao espaço.

Isar Aerospace

🛰️ Já a Isar Aerospace tornou-se a primeira empresa espacial comercial da Europa a colocar satélites em órbita com sucesso e já pretende expandir o negócio.
A startup alemã fez o lançamento de cinco satélites no sábado (5), a partir de uma base na Noruega. Nesta quarta-feira (9), informou que todas as cargas úteis transportadas foram liberadas com sucesso e que a maioria dos satélites já iniciou operações em órbita. 
Para a empresa, a missão comprovou a sua capacidade de lançamento orbital e abre espaço para a continuidade do projeto de construção de uma operação de lançamentos de larga escala.
"Agora, vamos nos concentrar em expandir rapidamente a produção de veículos de lançamento, cumprir nossa carteira de encomendas e atender à crescente demanda global", afirmou o CEO e cofundador da Isar Aerospace, Daniel Metzler.

Rivais da SpaceX

Além dessas startups, empresas como a Blue Origin de Jeff Bezos tentam desafiar o domínio da SpaceX no mercado aeroespacial. Conheça as principais rivais.
Ainda assim, o mercado acredita que a liderança da empresa de foguetes de Elon Musk será duradoura.
A Fitch, por exemplo, vê barreiras "praticamente intransponíveis" neste setor, ao menos no período relevante para a sua avaliação de crédito.
"A integração vertical entre motores, aviônicos, satélites e terminais de usuário elimina a margem do fornecedor e permite uma velocidade de iteração que a Fitch não espera que nenhum concorrente alcance dentro do horizonte de rating", afirmou, em junho.
A Moody's foi na mesma linha, ao avaliar que a integração vertical da SpaceX proporciona uma eficiência de custos e uma velocidade operacional difíceis de serem batidas pelos seus concorrentes.
Além disso, a agência lembrou que os contratos mantidos com o governo americano sustentam as receitas da empresa de Elon Musk.
Diante disso, a Moody's acredita que a SpaceX tem condições de manter uma posição de liderança nesse mercado, além de continuar apresentando forte crescimento de receita e EBITDA.