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Banco do Brasil (BBAS3) entra na temporada de resultados novamente sob pressão. Para o balanço que será divulgado nesta quarta-feira (11), o consenso do mercado aponta para mais um trimestre fraco, marcado por forte retração no lucro e impacto concentrado, mais uma vez, no agronegócio — segmento historicamente estratégico para o banco, mas que vem pesando sobre os números recentes.
A leitura predominante é de que o quarto trimestre deve refletir um ambiente ainda adverso para a qualidade de crédito, com crescimento mais lento das carteiras e margens pressionadas. Esse cenário explica por que as expectativas seguem bastante conservadoras entre analistas.
XP vê desaceleração e risco de frustração
Na avaliação da XP, o Banco do Brasil deve enfrentar mais um trimestre de desaceleração no crescimento das carteiras Corporate e Agro.
O pano de fundo continua sendo um nível de inadimplência acima do desejável, especialmente no agronegócio, o que tende a limitar a expansão do crédito e pressionar o resultado final.
Para a corretora, esse conjunto de fatores pode empurrar os números para a parte inferior do guidance divulgado pela própria instituição. Em outras palavras, mesmo dentro do intervalo esperado, o risco é de um resultado mais próximo do piso do que do teto das projeções oficiais.
“Por mais um trimestre, o crescimento das carteiras Corporate e Agro tende a desacelerar, possivelmente se aproximando da parte baixa do guidance, à medida que a qualidade de crédito permanece aquém do ideal”, escreveu a XP em relatório.
JPMorgan vê espaço para surpresa positiva
Apesar do tom cauteloso dominante, o JPMorgan chama atenção para as expectativas que já estão bastante deprimidas. Nesse contexto, qualquer sinal de melhora, ainda que marginal, pode ser suficiente para provocar uma reação positiva do mercado.
Segundo o banco americano, uma eventual inflexão no agronegócio, seja por estabilização da inadimplência ou avanço nas renegociações, pode surpreender investidores que já entraram no balanço preparados para o pior.
“Diante das expectativas baixas, qualquer sinal de inflexão no agronegócio pode animar o mercado”, avalia o JPMorgan.
Reperfilamento do agro: risco hoje, alívio amanhã?
No centro da estratégia do Banco do Brasil está o programa de reperfilamento das dívidas do agronegócio. Para os analistas, a iniciativa tem efeitos ambíguos.
No curto prazo, pode antecipar o reconhecimento de problemas de crédito e manter a pressão sobre os resultados. Por outro lado, tende a destravar renegociações relevantes, ajudando a estabilizar a carteira ao longo do tempo.
O JPMorgan estima que mais de R$ 20 bilhões em saldo estejam sendo reperfilados neste momento, movimento que pode aliviar o risco sistêmico da carteira agro e trazer algum benefício do ponto de vista de capital.
Ainda assim, o banco revisou suas projeções para 2026, refletindo uma visão mais conservadora. A estimativa agora é de lucro de R$ 23,8 bilhões no próximo ano, com
ROE em torno de 13%, patamar bem abaixo do histórico da instituição.
“Esperamos alguma desaceleração no crescimento dos empréstimos e assumimos despesas gerais e administrativas ainda acima da
inflação”, explica o JPMorgan, citando crescimento projetado de crédito de 5,8% e custos avançando perto de 6%.
Consenso aponta para tombo no lucro
As estimativas para o quarto trimestre reforçam o clima de cautela:
| Casa |
Lucro 4T25 (R$ bi) |
Variação A/A |
ROE |
| Safra |
3,8 |
-59,9% |
8,4% |
| XP |
4,0 |
-57,8% |
8,8% |
| JPMorgan |
4,1 |
- |
- |
📈 Com números tão comprimidos, o balanço do Banco do Brasil chega como um evento de risco assimétrico. O cenário-base ainda é fraco, mas qualquer sinal de estabilização, especialmente no agronegócio, pode ser suficiente para mudar o humor do mercado no curto prazo.