Banco do Brasil (BBAS3) supera expectativas e lucra R$ 5,7 bilhões no 4T25

Mesmo com queda anual de 40%, o resultado superou com folga o consenso Bloomberg, que projetava R$ 4,5 bilhões.

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Publicado em 11/02/2026 às 18:58h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 11/02/2026 às 18:58h Atualizado 1 minuto atrás por Matheus Silva
Na comparação com o terceiro trimestre, o avanço do lucro foi de 51% (Imagem: Shutterstock)
Na comparação com o terceiro trimestre, o avanço do lucro foi de 51% (Imagem: Shutterstock)
🚀 O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões. 
Apesar de representar queda de 40% na comparação anual, o resultado veio significativamente acima das expectativas do mercado, que apontavam para R$ 4,5 bilhões, segundo consenso da Bloomberg.
Na comparação com o terceiro trimestre, o avanço foi de 51%, sinalizando recuperação relevante na margem, mesmo em um ambiente ainda desafiador.
O número ganha ainda mais relevância porque o banco vinha sob forte pressão desde o segundo semestre, principalmente por conta da deterioração da carteira do agronegócio e do aumento das provisões exigido pela Resolução CMN nº 4.966/2021, que endureceu os critérios contábeis para perdas de crédito.

Agro ainda pesa no desempenho

O principal foco de preocupação segue sendo o agronegócio. Desde o terceiro trimestre de 2025, o Banco do Brasil passou a sentir com mais intensidade os efeitos do aumento de recuperações judiciais no setor.
Dados da Serasa Experian indicam que 8,3% da população rural estava inadimplente no período, alta de 0,9 ponto percentual na comparação anual. Esse cenário elevou a necessidade de provisões e pressionou a rentabilidade.
A nova regra contábil também antecipou o reconhecimento de perdas potenciais, aumentando a sensibilidade dos resultados às oscilações na qualidade de crédito.

Rentabilidade ainda distante dos pares

O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) ficou em 12,4% no trimestre. O indicador representa queda de 8,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior, embora tenha avançado 4 pontos frente ao trimestre imediatamente anterior.
Ainda assim, o Banco do Brasil permanece abaixo dos principais concorrentes privados. No mesmo período, o Itaú (ITUB4) entregou ROE de 24%, o Santander (SANB11) registrou 17,5% e o Bradesco (BBDC4) alcançou 15,2%.
O resultado confirma que, embora o banco tenha surpreendido positivamente no lucro, o processo de normalização da rentabilidade ainda está em curso.

Margem financeira mostra consistência

A margem financeira bruta totalizou R$ 103,1 bilhões em 2025. Apenas no quarto trimestre, somou R$ 27,8 bilhões, alta de 5,4% frente ao trimestre anterior e de 3,8% na comparação anual.
Segundo a administração, o desempenho foi impulsionado pelo crescimento das receitas financeiras, especialmente nas operações com pessoas físicas, em linha com a estratégia de diversificação do mix e com o ganho de representatividade do Crédito do Trabalhador.
“A performance da Margem Financeira Bruta demonstra a consistência de geração de receitas do BB”, afirmou o banco em comunicado.

Carteira de crédito atinge R$ 1,3 trilhão

Em dezembro de 2025, a carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,3 trilhão, crescimento de 2,5% em relação ao ano anterior.
O segmento de pessoa física foi o principal destaque, com avanço de 7,6% na base anual. Dentro dessa frente, linhas como Crédito Não Consignado (+11,8%) e Cartão de Crédito (+19,6%) registraram expansão de dois dígitos, reforçando a estratégia de maior diversificação e menor concentração no agro.
O custo de crédito totalizou R$ 61,9 bilhões em 2025. No quarto trimestre, ficou em R$ 18,0 bilhões, estável em relação ao período anterior.
Já o índice de inadimplência acima de 90 dias encerrou dezembro em 5,17%, alta de 66 pontos-base frente a setembro, refletindo principalmente o aumento do risco no agronegócio.

Guidances cumpridos e foco em 2026

O banco destacou que cumpriu os guidances revisados para 2025. A carteira de crédito cresceu 3,6%, dentro da faixa projetada de 3% a 6%, e as receitas de serviços somaram R$ 34,8 bilhões, dentro da estimativa de R$ 34,5 bilhões a R$ 36,5 bilhões.
A projeção original de lucro, entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, foi revisada ao longo do ano para refletir o ambiente mais desafiador. A última faixa indicada, entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, acabou sendo cumprida.
Segundo a presidente Tarciana Medeiros, os sinais de inflexão já começam a aparecer.
🗣️ “Conseguimos nos adaptar ao cenário com transparência e muita dedicação de nossos funcionários para que tenhamos um 2026 com retomada de patamares de rentabilidade do tamanho do BB. Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão”, afirmou.

Surpresa muda a narrativa?

O desempenho acima das expectativas pode alterar parcialmente a percepção negativa que vinha se consolidando em torno da ação. O mercado já precificava um cenário mais adverso, especialmente diante do ciclo de crédito mais apertado no agro.
A forte recuperação sequencial sugere que o pior momento pode estar sendo absorvido gradualmente. No entanto, a sustentabilidade dessa melhora dependerá da estabilização da inadimplência e da evolução das provisões ao longo de 2026.
📊 Para o investidor, o resultado traz alívio no curto prazo, mas a tese estrutural segue atrelada à capacidade do banco de recuperar patamares de rentabilidade mais próximos do histórico e de seus pares.