Se não fossem os eventos não recorrentes e ajustando o benefício tributário do ágio, era para a bolsa de valores do Brasil ter lucrado R$ 1,5 bilhão no quarto trimestre do ano (
4T25). Só que a
B3 (B3SA3) apurou, na verdade, um lucro líquido de R$ 907,8 milhões, queda de -23% na comparação anual.
Os resultados publicados pela empresa nesta quinta-feira (26) ressaltam que, devido às incorporações da Neoway e da Neurotech a partir da metade de 2025, a B3 passou a reconhecer o benefício fiscal da amortização do ágio dessas aquisições, que no trimestre totalizou R$ 40,7 milhões. As despesas somaram R$ 922 milhões no 4T25, piora de 1,5% entre períodos.
Em meio a esse período de
Ibovespa recordista, era de se esperar que as receitas da B3 crescessem no 4T25, o que de fato se confirmou, com o saldo total de R$ 3 bilhões, acréscimo de +10,6% na base anual.
Chama a atenção que os
investimentos em renda fixa seguem gerando gordos emolumentos à bolsa de valores brasileira, dado que as emissões consolidadas de
CRAs,
CRIs,
debêntures, entre outros tipos de títulos corporativos saltaram +16,8% no 4T25, além de um estoque 17,9% maior.
A B3 também é a responsável pela custódia do dinheiro que os investidores pessoa física aplicam no
Tesouro Direto, o que lhe tem gerado bastante taxas, visto que o número de investidores que emprestam dinheiro ao governo brasileiro avançou +17,4% no trimestre, além do estoque ter expandido 39,9%.
Diga-se de passagem, os investimentos em
renda variável já dão sinais promissores, com o volume financeiro médio diário negociado (ADTV, na sigla em inglês) no mercado à vista totalizando R$ 26,2 bilhões no 4T25, acréscimo de +2,3% ante o apurado há um ano.
Os crescimentos em
ETFs (+14,3%),
BDRs (+30,9%) e
Fundos Listados (+4,6%) sustentaram o crescimento da renda variável, reforçando a importância da diversificação da prateleira de produtos, que trazem mais alternativas de alocação para o investidor e maior resiliência aos volumes negociados na B3.