Argentina registra inflação de 13% em fevereiro; governo corta taxa de juros

Família média argentina precisa de 690 mil pesos para o básico

Author
Publicado em 12/03/2024 às 17:41h - Atualizado em 11/09/2025 às 16:03h Publicado em 12/03/2024 às 17:41h Atualizado em 11/09/2025 às 16:03h por Wesley Santana
Argentina é uma das 30 maiores economias do mundo. Foto: Shutterstock
Argentina é uma das 30 maiores economias do mundo. Foto: Shutterstock

🇦🇷 Dados divulgados nesta terça-feira (12) mostram que a inflação da Argentina desacelerou e terminou o mês de fevereiro em 13,2%.

Esse número representa uma desaceleração de quase um terço em relação ao índice de janeiro, quando a inflação foi de 20,6%. Com isso, a Argentina tem uma inflação acumulada de 276,2% nos últimos 12 meses. 

Acompanhe todas as notícias pelo celular! Baixe o app

Os dados são do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que também mostrou que uma família com quatro pessoas precisou de, ao menos, 690 mil pesos (cerca de R$ 4,1 mil) para superar a marca da pobreza. 

🛢️ Leia também: Equipe da Petrobras (PETR4) visita Venezuela a pedido de Maduro

Os maiores aumentos foram registrados na Comunicação (24%), no Transporte (21%) e na Infraestrutura (20%). Roupas (7%), Cultura (8%) e Educação (10%) tiveram os menores avanços. 

A Província de Buenos, onde está situada a capital federal, foi a que apresentou a maior alta, de 15%, acima da média nacional.

“Esta dinâmica é resultado do programa econômico implementado pelo Governo a partir de dezembro. O mesmo visa ordenar as variáveis macroeconômicas e estabilizar expectativas através da combinação das âncoras fiscal, monetária e cambial com medidas de normalização e desburocratização do comércio”, disse comunicado do gabinete de Javier Milei.

Apesar do número positivo, a Argentina mantém a inflação mensal mais alta do mundo, superando a vizinha Venezuela que registrou deflação de 0,5%. No acumulado do bimestre, os preços subiram 36,6%, ainda segundo o IPC. 

Ao jornal argentino La Nación, Camilo Tiscornia, diretor da consultoria C&T, destaca que o dado é positivo e que deve ser comemorado. “É muito importante também a queda da inflação central, que baixou de 20% em janeiro para 12,3%em fevereiro. Essa é a melhor medida neste momento em que há tanto aumento regulamentado", pontuou.

Queda na taxa de juros

💰 O resultado da inflação veio um pouco abaixo do que esperava o governo, que apostava em 15%. Desde dezembro do ano passado, o Ministério da Economia, chefiado por Luís Caputo, tem feito um forte ajuste fiscal e controle monetário. 

Com isso, antes dos números do IPC, a equipe de Milei decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia de 100% para 80% ao ano. A medida, segundo o Banco Central, se justifica nos sinais visíveis de redução da incerteza macroeconômica, conforme informou na noite da segunda-feira (12). 

O banco também pontuou que houve estabilização na diferença do dólar oficial e das cotações paralelas. Atualmente, o chamado dólar blue, negociado pelas ruas do país, está cotado a 1.020 pesos, enquanto o oficial, nas casas de câmbio, é vendida a R$ 894.