ANP libera Petrobras (PETR4) para voltar a perfurar na Foz do Amazonas

Apesar da autorização, a retomada da perfuração está condicionada ao cumprimento de uma série de exigências técnicas.

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Publicado em 04/02/2026 às 19:47h - Atualizado 5 minutos atrás Publicado em 04/02/2026 às 19:47h Atualizado 5 minutos atrás por Matheus Silva
A liberação ocorre cerca de um mês depois da interrupção dos trabalhos (Imagem: Shutterstock)
A liberação ocorre cerca de um mês depois da interrupção dos trabalhos (Imagem: Shutterstock)
🚨 A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizou a Petrobras (PETR4) a retomar a perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, após a paralisação ocorrida no início do ano em razão de um vazamento de fluido de perfuração.
Segundo documento analisado pela Reuters, a agência concluiu que, após avaliações técnicas e a apresentação de medidas mitigadoras por parte da estatal, não há impedimentos regulatórios para a continuidade das atividades. A liberação ocorre cerca de um mês depois da interrupção dos trabalhos.
“Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice ao retorno das atividades de perfuração no referido poço”, afirmou a ANP no ofício encaminhado à companhia.

Condicionantes e exigências técnicas

Apesar da autorização, a retomada da perfuração está condicionada ao cumprimento de uma série de exigências técnicas. 
Entre elas, a ANP determinou a troca de todos os selos das juntas do riser, conjunto de tubos que conecta a sonda ao poço, além da realização de novos treinamentos com todos os trabalhadores envolvidos na operação.
As medidas fazem parte do esforço da agência para reduzir riscos operacionais e evitar a repetição de incidentes semelhantes ao vazamento registrado anteriormente, que levou à suspensão imediata das atividades no local.

Impacto no cronograma do projeto

Fontes ouvidas afirmam que a Petrobras já iniciou os preparativos para a retomada dos trabalhos. Antes da paralisação, a expectativa da companhia era concluir a perfuração do poço em aproximadamente cinco meses.
Com a interrupção de cerca de um mês, o cronograma deve sofrer atraso proporcional. Segundo uma das fontes, o prazo final para conclusão da perfuração será revisado para refletir o período em que as atividades permaneceram suspensas.
Procurada, a Petrobras não comentou oficialmente o assunto até a última atualização.

Nova fronteira exploratória e controvérsias ambientais

A perfuração na Foz do Amazonas é considerada estratégica pela Petrobras e pelo governo, por envolver uma área vista como a principal aposta para a abertura de uma nova fronteira exploratória no país. 
A região compartilha características geológicas semelhantes às da Guiana, onde a ExxonMobil desenvolve grandes campos de petróleo com elevado potencial produtivo.
Ao mesmo tempo, o projeto é alvo de forte resistência de organizações ambientais e comunidades indígenas locais. O vazamento de fluido de perfuração reacendeu protestos e críticas de ativistas, que alertam há anos para os riscos da exploração de petróleo em ecossistemas marinhos e costeiros sensíveis da região Norte do país.
📊 A retomada das atividades, portanto, recoloca no centro do debate o equilíbrio entre expansão da produção de petróleo, segurança operacional e preservação ambiental.