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Vivo (VIVT3) decidiu entrar de vez na disputa pelo bolso do consumidor brasileiro que vive sem cartão de crédito ou com limite apertado.
A operadora de telefonia da Telefônica Brasil passou a oferecer parcelamento próprio em até 21 vezes para a compra de aparelhos celulares, acessórios e eletrônicos em geral nas suas unidades físicas e pelo aplicativo, em um movimento que coloca a empresa cara a cara com varejistas tradicionais como
Casas Bahia (BHIA3) e
Magalu (MGLU3).
A lógica é de que nove em cada dez vendas de smartphones na Vivo passam pelo cartão de crédito. Quem não tem acesso a esse meio de pagamento ou já estourou o limite acaba saindo da loja de mãos vazias. O crediário próprio fecha essa brecha.
Para viabilizar a oferta de crédito na hora, a Vivo vai explorar um ativo que os varejistas tradicionais não têm: o histórico de relacionamento com mais de 100 milhões de clientes. Ao consultar o CPF ou o número de telefone, o atendente já sabe quanto o consumidor pode gastar antes mesmo de ele chegar ao balcão.
Braço financeiro sustenta a operação com licença do BC
Quem executa a concessão do crédito é o Vivo Pay, plataforma financeira da operadora que desde 2024 opera com licença de SCD (Sociedade de Crédito Direto) concedida pelo Banco Central. Isso significa que a Vivo pode emprestar dinheiro diretamente, sem depender de bancos parceiros como fazia antes pelo modelo de bank as a service.
A estrutura financeira do serviço envolve um FIDC administrado pela Polígono Capital, joint venture formada pelo
BTG Pactual (BPAC11) e pela Prisma.
Em cinco anos de operação, o Vivo Pay já liberou R$ 1,1 bilhão em crédito e gerou receita de R$ 488 milhões em 2025, crescimento de 5,9% frente ao ano anterior.
O crediário adiciona uma camada de monetização a esse ecossistema. Além dos juros cobrados nas parcelas, valores não divulgados publicamente, a Vivo consegue vender seguros atrelados ao aparelho. Atualmente, quatro em cada dez consumidores que compram um smartphone na operadora saem também com um seguro contratado.
Vivo já movimenta R$ 3,9 bi em produtos e quer mais
A operação de venda de produtos não é nova para a Vivo. A empresa já fatura R$ 3,9 bilhões por ano com smartphones, acessórios e eletrônicos em sua rede de 1,8 mil lojas e no canal digital, número que representa 13% do faturamento das Casas Bahia e 10% do da Magalu.
O crediário é a aposta para expandir esse número de forma relevante, especialmente no interior do país, onde a loja da Vivo muitas vezes é a única opção de varejo especializado disponível.
O público-alvo vai desde quem quer trocar um aparelho defasado sem ter limite no cartão até consumidores de maior renda que preferem parcelar um smartphone premium de quatro dígitos sem comprometer o crédito bancário.
O denominador comum é o mesmo, o ciclo de troca de celulares no Brasil passou de um ano e meio para três anos, e o crédito acessível pode ser o empurrão que faltava para encurtar esse intervalo.
📊 Nos próximos meses, o Vivo Pay também planeja relançar sua conta digital, que ficou temporariamente fora do ar durante a migração para a nova licença do Banco Central, e estrear uma linha de crédito voltada para pessoas jurídicas.