Após meses em busca de uma solução para a sua situação financeira, a
Raízen (RAIZ4) precisou entrar em recuperação extrajudicial.
💲 A companhia apresentou o pedido na madrugada desta quarta-feira (11) para tentar renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.
Diferente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial envolve a negociação direta da dívida com os credores e precisa da aprovação de 50% dos envolvidos para seguir adiante.
Entenda o processo aqui.
A Raízen já conseguiu o apoio de 47% dos seus credores financeiros quirografários (aqueles cujo crédito não possui garantia real). Na lista, estariam os principais
bancos do país e detentores de títulos de
renda fixa internacionais, os bondholders.
A empresa terá 90 dias para convencer outros credores a embarcar no plano de reestruturação -período em que os vencimentos de dívidas ficará suspenso.
Maior recuperação extrajudicial do país
O plano é similar ao do
GPA (PCAR3), que também apresentou um
pedido de recuperação extrajudicial nessa terça-feira (10) após fechar um acordo com 46% dos seus credores -uma parcela relevante, mas ainda insuficiente para garantir o andamento do processo.
Em fato relevante, a Raízen disse que o envolvimento de 47% dos seus credores "demonstra apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras".
Além disso, afirmou que o objetivo do processo é "assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias".
A recuperação extrajudicial da Raízen, no entanto, chama atenção pelas suas dimensões. Para se ter ideia, o GPA busca renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas por meio desse processo. Antes disso, a
Casas Bahia (BHIA3) usou esse mecanismo para reestruturar obrigações de R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Na história de recuperações brasilerias, a reestruturação de dívida da Raízen só seria menor que a da antiga Odebrecht (atual Novonor) e da da
Oi (OIBR3). Essas empresas, no entanto, enfrentaram uma recuperação judicial. Por isso, a Raízen pode enfrentar o maior processo de recuperação extrajudicial do país.
Operações continuam
A Raízen ressaltou ainda que a recuperação extrajudicial envolve apenas dívidas financeiras.
Ou seja, não contempla dívidas operacionais, como as obrigações mantidas com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios -agentes que, como a própria empresa destacou, são "essenciais para a sua operação e continuidade de suas atividades".
Segundo a companhia, essas dívidas "permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos".
"As operações do Grupo Raízen seguem sendo conduzidas normalmente, no atendimento a clientes, na relação com fornecedores e na execução de seus planos de negócios", afirmou.
Capitalização segue na mira
A Raízen manteve a possibilidade de receber uma injeção de capital dos seus controladores, mesmo após apresentar o pedido de recuperação extrajudicial.
Segundo a empresa, o plano de reestruturação da sua dívida ainda pode envolver:
- a capitalização do Grupo Raízen pelos seus acionistas;
- a conversão de parte dos Créditos Sujeitos em participação acionária na Companhia;
- a substituição de parte dos Créditos Sujeitos por novas dívidas;
- reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo Grupo Raízen;
- venda de ativos do Grupo Raízen.
A crise da Raízen
A Raízen é uma joint venture formada pela
Shell (SHEL) e pela
Cosan (CSAN3), que entrou em crise após investir alto para expandir os seus negócios e não obter todos os retornos esperados, bem em meio à alta dos juros.
Diante da crise, os controladores da Raízen passaram a discutir a capitalização da empresa. Porém, a
Cosan não embarcou no plano, já que também tenta organizar a sua estrutura de capital.
A Raízen prevê, portanto, um
aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões do Grupo Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto, o fundador da Cosan.
O valor, no entanto, não será suficiente para conter a crise, como revelado nessa terça-feira (10) pelo CEO da Cosan, Marcelo Martins, que defende a segregação dos negócios de distribuição de combustíveis e açúcar e etanol da Raízen.