Raízen (RAIZ4) pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas

Empresa quer renegociar R$ 65 bi em dívidas e já conta com apoio de 47% dos credores.

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Publicado em 11/03/2026 às 07:58h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 11/03/2026 às 07:58h Atualizado 1 minuto atrás por Marina Barbosa
Raízen deve enfrentar o maior processo de recuperação extrajudicial do país (Imagem: Shutterstock)
Raízen deve enfrentar o maior processo de recuperação extrajudicial do país (Imagem: Shutterstock)
Após meses em busca de uma solução para a sua situação financeira, a Raízen (RAIZ4) precisou entrar em recuperação extrajudicial.
💲 A companhia apresentou o pedido na madrugada desta quarta-feira (11) para tentar renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras.
Diferente da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial envolve a negociação direta da dívida com os credores e precisa da aprovação de 50% dos envolvidos para seguir adiante. Entenda o processo aqui.
A Raízen já conseguiu o apoio de 47% dos seus credores financeiros quirografários (aqueles cujo crédito não possui garantia real). Na lista, estariam os principais bancos do país e detentores de títulos de renda fixa internacionais, os bondholders.
A empresa terá 90 dias para convencer outros credores a embarcar no plano de reestruturação -período em que os vencimentos de dívidas ficará suspenso.

Maior recuperação extrajudicial do país

O plano é similar ao do GPA (PCAR3), que também apresentou um pedido de recuperação extrajudicial nessa terça-feira (10) após fechar um acordo com 46% dos seus credores -uma parcela relevante, mas ainda insuficiente para garantir o andamento do processo.
Em fato relevante, a Raízen disse que o envolvimento de 47% dos seus credores "demonstra apoio relevante aos esforços para viabilizar a reestruturação das obrigações financeiras".
Além disso, afirmou que o objetivo do processo é "assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas financeiras quirografárias".
A recuperação extrajudicial da Raízen, no entanto, chama atenção pelas suas dimensões. Para se ter ideia, o GPA busca renegociar R$ 4,6 bilhões em dívidas por meio desse processo. Antes disso, a Casas Bahia (BHIA3) usou esse mecanismo para reestruturar obrigações de R$ 4,1 bilhões em dívidas.
Na história de recuperações brasilerias, a reestruturação de dívida da Raízen só seria menor que a da antiga Odebrecht (atual Novonor) e da da Oi (OIBR3). Essas empresas, no entanto, enfrentaram uma recuperação judicial. Por isso, a Raízen pode enfrentar o maior processo de recuperação extrajudicial do país.

Operações continuam

A Raízen ressaltou ainda que a recuperação extrajudicial envolve apenas dívidas financeiras.
Ou seja, não contempla dívidas operacionais, como as obrigações mantidas com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios -agentes que, como a própria empresa destacou, são "essenciais para a sua operação e continuidade de suas atividades".
Segundo a companhia, essas dívidas "permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos".
"As operações do Grupo Raízen seguem sendo conduzidas normalmente, no atendimento a clientes, na relação com fornecedores e na execução de seus planos de negócios", afirmou.

Capitalização segue na mira

A Raízen manteve a possibilidade de receber uma injeção de capital dos seus controladores, mesmo após apresentar o pedido de recuperação extrajudicial.
Segundo a empresa, o plano de reestruturação da sua dívida ainda pode envolver:
  • a capitalização do Grupo Raízen pelos seus acionistas; 
  • a conversão de parte dos Créditos Sujeitos em participação acionária na Companhia; 
  • a substituição de parte dos Créditos Sujeitos por novas dívidas; 
  • reorganizações societárias, destinadas à segregação de parcela dos negócios atualmente conduzidos pelo Grupo Raízen;
  • venda de ativos do Grupo Raízen.

A crise da Raízen

A Raízen é uma joint venture formada pela Shell (SHEL) e pela Cosan (CSAN3), que entrou em crise após investir alto para expandir os seus negócios e não obter todos os retornos esperados, bem em meio à alta dos juros.
A companhia acumulou bilhões em dívidas e uma alavancagem superior a 5x, mesmo depois da venda de ativos não estratégicos. Além disso, sofreu um prejuízo líquido de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026.
Por isso, perdeu o grau de investimento das principais agências de classificação de risco do mundo e buscou suporte de assessores financeiros para tentar colocar as contas em ordem e melhorar a relação com o mercado.
Diante da crise, os controladores da Raízen passaram a discutir a capitalização da empresa. Porém, a Cosan não embarcou no plano, já que também tenta organizar a sua estrutura de capital.
A Raízen prevê, portanto, um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões do Grupo Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto, o fundador da Cosan. 
O valor, no entanto, não será suficiente para conter a crise, como revelado nessa terça-feira (10) pelo CEO da Cosan, Marcelo Martins, que defende a segregação dos negócios de distribuição de combustíveis e açúcar e etanol da Raízen.