Diante do vácuo de poder deixado pela
queda do ditador Nicolás Maduro na Venezuela, o presidente americano Donald Trump já tratou de revelar que petroleiras americanas aportarão bilhões de dólares no setor energético do país sul-americano, durante coletiva de imprensa neste sábado (3).
Poucas horas após militares americanos empregarem bombardeios aéreos na capital venezuelana, Caracas, e em outras regiões do território, que culminaram na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, os quais foram retirados do país, Trump explicou que o foco dos investimentos é recuperar a infraestrutura petrolífera em frangalhos.
Assim como no Brasil,
o petróleo explorado na Venezuela encontra-se em alto-mar (offshore), o que requer uma baita infraestrutura e logística das petroleiras envolvidas. A diferença é que, enquanto os brasileiros possuem uma reserva comprovada de petróleo de 16,8 bilhões de barris, os venezuelanos ostentam 303 bilhões de barris, a maior reserva do planeta.
Mesmo que a maior parte da
exploração petrolífera da Venezuela tenha sido estatizada, sobretudo durante o regime de Hugo Chávez, de quem Nicolás Maduro herdou o controle do poder, ainda há uma petroleira sediada nos Estados Unidos que opera na nação sul-americana.
A
Chevron (CVX) ainda mantém operações na Venezuela, tendo exportado cerca de 140 mil barris de petróleo por dia durante o quarto trimestre de 2025, conforme dados da consultoria de energia Kpler.
Por sua vez, a petroleira americana afirma, em nota, que "segue focada na segurança e bem-estar de seus colaboradores, bem como da integridade de suas instalações e plataformas de exploração de petróleo na Venezuela".
Chevron e Exxon Mobil na Venezuela
Já a também petroleira americana
Exxon Mobil (XOM) tem uma relação mais conturbada com o governo venezuelano. Há mais de 15 anos, a empresa deixou de adquirir e receber
petróleo venezuelano após se recusar a adotar o modelo de joint venture estabelecido pela Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos, em que os americanos ficam com a participação minoritária e a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), controlada pelo regime chavista, abocanha a fatia majoritária.
É justamente daí que vêm parte das justificativas do governo Trump para exercer o ataque militar na Venezuela e se apropriar das instalações petrolíferas, já que a Exxon Mobil, até o momento, foi submetida a expropriação sem indenização pelo então governo de Hugo Chávez, sucedido por Nicolás Maduro.
Ao mesmo tempo, a vizinha Guiana, que mudou sua sorte a partir de 2015, após a descoberta de vastas reservas de petróleo em alto-mar, já dá um spoiler do que se pode esperar da atuação das petroleiras americanas na Venezuela.
Segundo dados do
Investidor10, se você tivesse investido US$ 1 mil em
Exxon Mobil (XOM) há cinco anos, hoje você teria
US$ 3.626,78, enquanto a
Chevron (CVX) teria entregue
US$ 2.281,61, em ambos os casos já considerando o reinvestimento dos
dividendos em dólar. A simulação também mostra que o
ETF VOO, que replica o S&P 500, teria retornado
US$ 1.990,83.