Petrobras (PETR4): ANP trava perfuração na Foz do Amazonas e exige explicações

A ANP condicionou a retomada das atividades à prestação de esclarecimentos detalhados sobre o vazamento de fluido sintético.

Author
Publicado em 08/01/2026 às 18:19h - Atualizado 10 horas atrás Publicado em 08/01/2026 às 18:19h Atualizado 10 horas atrás por Matheus Silva
A decisão atinge em cheio a sonda que operava a 175 km da costa do Amapá (Imagem: Shutterstock)
A decisão atinge em cheio a sonda que operava a 175 km da costa do Amapá (Imagem: Shutterstock)

🚨 O sonho da Petrobras (PETR4) de abrir uma "nova Guiana" em território brasileiro sofreu um revés regulatório nesta quinta-feira (7). 

A ANP (Agência Nacional de Petróleo) condicionou a retomada das atividades de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas à prestação de esclarecimentos detalhados sobre o vazamento de fluido sintético ocorrido no último domingo (3).

A decisão atinge em cheio a sonda ODN II (NS-42), que operava no poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá, e agora só poderá voltar a perfurar após autorização expressa da agência.

O incidente, inicialmente reportado como a perda de 15 metros cúbicos de fluido, revelou-se mais grave. Documentos vistos pela Reuters apontam que o volume vazado foi de pouco mais de 18 metros cúbicos.

Embora a Petrobras garanta que o material é biodegradável e que o vazamento foi contido rapidamente nas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço, a ANP exige uma avaliação inicial das causas e dos impactos potenciais antes de liberar a continuidade dos trabalhos.

O fator tempo e a janela de exploração

A Petrobras trabalhava com um cronograma otimista, estimando que a campanha poderia ser retomada em até 20 dias. No entanto, o rigor da ANP e a possibilidade de uma inspeção presencial na sonda em fevereiro podem esticar esse prazo.

Desde que iniciou a perfuração em outubro de 2025, a estatal previa uma operação de cinco meses para concluir o poço, que é visto como a chave para confirmar se a geologia da região realmente espelha os campos bilionários da vizinha Guiana. A paralisação ocorre em um momento de forte pressão política e social.

➡️ Leia mais: Ouro é passado: Títulos do Brasil são o novo investimento de elite, diz gestora

Organizações indígenas e ativistas ambientais, que historicamente se opõem à exploração na Foz do Amazonas, utilizaram o vazamento como prova dos riscos inerentes à atividade em ecossistemas sensíveis.

Para a Petrobras, qualquer falha técnica nesta fase exploratória é um combustível extra para as críticas de quem defende a proteção integral da região.

Impacto para o acionista

Para o mercado financeiro, a notícia traz volatilidade, mas ainda não altera a tese estrutural de longo prazo. A Margem Equatorial é o principal vetor de crescimento de reservas da Petrobras para a próxima década.

O mercado aguarda agora a resposta técnica da companhia à ANP, que durante a reunião de quarta-feira admitiu ainda não saber a causa exata do rompimento das linhas.

Se a Petrobras conseguir provar que o incidente foi um evento isolado e sem danos ambientais significativos, a autorização pode sair antes da inspeção de fevereiro.

Caso contrário, o alto custo de manutenção da sonda parada e o atraso na coleta de dados podem pesar nos resultados do primeiro trimestre de 2026.

📊 A Petrobras segue sob a lupa do regulador e da opinião pública, em uma operação onde a margem de erro é praticamente zero.