Operação contra fraude fiscal atinge diretoria do Carrefour (CAFR31); entenda

Diretora tributária é apontada por ligação com auditor preso em SP; esquema pode ter movimentado R$ 1 bi em propinas.

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Publicado em 26/03/2026 às 16:20h Publicado em 26/03/2026 às 16:20h por Wesley Santana
Carrefour é uma das maiores redes de varejo do mundo e negocia BDRs na B3 (Imagem: Shutterstuck)
Carrefour é uma das maiores redes de varejo do mundo e negocia BDRs na B3 (Imagem: Shutterstuck)

Nesta quinta-feira (26), uma das principais executivas do Carrefour (CAFR31) foi alvo de busca e apreensão do Ministério Público. Luciene Petroni Castro Neves, diretora de tributos da rede de supermercado, é suspeita de ligação com uma organização criminosa responsável por fraudes tributárias em São Paulo.

Os mandados foram expedidos no âmbito da operação Fisco Paralelo, que investiga corrupção na Secretaria da Fazenda de SP. Segundo os investigadores do Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), Luciene teve “intenso contato com Artur Gomes da Silva Neto”, um fiscal apontado como chefe do esquema e que teria levantado ao menos R$ 1 bilhão em propinas.

O esquema foi descoberto no meio do ano passado, quando executivos de grandes empresas chegaram a ser detidos pela Polícia. Um deles foi o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, que ficou preso durante três dias, mas foi solto mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

No caso de Luciene, a investigação apontou trocas de mensagens que mostraram que ela tinha o auxílio de Artur no pedido de ressarcimento de impostos, como o ICMS. Além disso, ela teria se encontrado com o auditor algumas vezes para tratar sobre interesses do Carrefour, o que inclui a aceleração dos procedimentos de reembolso, embora não tenha falado sobre troca de valores que a envolva ou à empresa na qual trabalha.

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“Entre julho de 2021 e agosto do ano passado, quando da deflagração da Operação Ícaro, Luciene manteve intenso contato com Artur Gomes da Silva Neto, fiscal corrupto que ocupava o cargo de supervisor fiscal da DIFIS. Conforme se constata pelas mensagens de WhatsApp trocadas entre Artur e Luciene, o agente fiscal de rendas auxiliava a executiva do Carrefour nos pedidos de ressarcimento de ICMS-ST da empresa”, detalha a investigação.

Outras empresas são citadas nesta fase do inquérito, caso da Kalunga, Oxxo, Casas Bahia, Caoa e Posto Ipiranga. A Casas Bahia (BHIA3) informou que “não foi notificada por qualquer autoridade competente sobre investigação envolvendo a Companhia em relação aos fatos narrados pela imprensa”.

O Carrefour, que já não faz mais parte da B3, foi procurado pela imprensa, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Já a Sefaz-SP destacou que colabora com as investigações e que atua no combate à sonegação de impostos.

"A pasta reafirma seu compromisso com a ética, a justiça fiscal e a apuração rigorosa de eventuais irregularidades, nos termos da lei. Atualmente, estão em andamento 33 procedimentos administrativos para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores, que podem resultar em sanções, inclusive demissão", disse em nota.