Nem Itaú, nem BB: BBA aponta o 'único' banco que ainda vale a pena investir

Na avaliação do Itaú BBA, os bancões já negociam levemente acima das médias históricas dos últimos cinco anos.

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Publicado em 30/01/2026 às 19:01h - Atualizado 8 horas atrás Publicado em 30/01/2026 às 19:01h Atualizado 8 horas atrás por Matheus Silva
O banco também analisou outros nomes do mercado (Imagem: Shutterstock)
O banco também analisou outros nomes do mercado (Imagem: Shutterstock)
🚀 Os grandes bancos brasileiros iniciaram 2026 em ritmo forte, com valorizações surpreendentes que colocaram os papéis entre os principais destaques da bolsa. 
O movimento reflete a combinação de fluxo estrangeiro, melhora do humor com o Brasil e a característica do setor financeiro como “porta de entrada” para investidores globais que querem se expor ao mercado local.
Nesse cenário, Bradesco (BBDC4) acumula alta de 16%, negociado ao redor de R$ 21,15, no maior nível desde 2022. Banco do Brasil (BBAS3) também avançou cerca de 15%, enquanto Santander Brasil (SANB11) soma ganho de 7% no ano. 
O problema, segundo o Itaú BBA, é que a velocidade da alta começa a levantar dúvidas sobre preço e fôlego.

Ações subiram, mas valuation começa a incomodar

Na avaliação do Itaú BBA, os bancões já negociam levemente acima das médias históricas dos últimos cinco anos. E isso aconteceu sem mudanças relevantes nas perspectivas de lucro ou no cenário de juros.
“Houve uma reavaliação generalizada, muito mais ligada ao fluxo e ao momento positivo da bolsa do que a revisões estruturais de fundamentos”, destacam os analistas. 
Embora o movimento ainda possa continuar no curto prazo, os preços atuais deixam menos margem para erro, especialmente em caso de correção do mercado ou reversão do fluxo estrangeiro.

Só um banco passa no crivo do Itaú BBA

Entre os grandes bancos tradicionais, o Itaú BBA é claro: apenas o Bradesco ainda justifica os níveis atuais de preço. Isso porque o ROE (Retorno sobre Patrimônio Liquído) projetado para o ano fiscal de 2026 deve superar a média histórica de cinco anos, algo que não acontece com seus principais concorrentes.
No caso do Santander Brasil, o retorno esperado está muito próximo da média histórica, enquanto os múltiplos já estão acima desse patamar.
Em outras palavras, para o BBA, o papel parece caro para o que entrega em termos de rentabilidade.
Já o Banco do Brasil enfrenta uma situação mais delicada. Mesmo após a forte alta recente, o ROE projetado segue cerca de oito pontos percentuais abaixo da média histórica.
Ainda assim, o papel já negocia a múltiplos compatíveis com períodos mais favoráveis, o que aumenta o risco de correção caso o fluxo estrangeiro diminua.

Banco do Brasil é o mais sensível a uma virada de mercado

O Itaú BBA faz um alerta específico sobre o Banco do Brasil. Entre os bancões, ele tende a ser o mais penalizado em um cenário de saída de capital estrangeiro. 
Como boa parte do rali recente foi impulsionada por fluxo e não por revisão de fundamentos, uma mudança no humor global poderia interromper rapidamente a alta.
Esse risco é ainda mais relevante diante das incertezas no agronegócio e da sensibilidade do banco a ciclos econômicos e políticos, o que limita o apelo do papel neste momento, segundo a casa.

BTG, B3 e XP: quem ainda tem espaço

Além dos bancões tradicionais, o Itaú BBA também analisou outros nomes relevantes do mercado financeiro. 
O BTG Pactual (BPAC11), por exemplo, sobe cerca de 14% no ano e negocia a múltiplos levemente acima da média histórica, mas ainda bem abaixo dos picos observados no passado. O banco também se destaca pelo crescimento consistente dos lucros e revisões positivas de resultados.
No caso da B3 (B3SA3), a avaliação segue abaixo da média histórica, com crescimento de lucros um pouco acima do padrão recente. Para o BBA, se o ambiente macro continuar favorável, isso pode dar suporte adicional às ações.
A XP (XPBR31) negocia a múltiplos considerados ainda levemente descontados em relação à média recente, mas com crescimento de lucro por ação mais fraco, o que limita o entusiasmo da casa neste momento.

Preferências seguem as mesmas, apesar da alta

Mesmo após a disparada dos ativos financeiros em 2026, o Itaú BBA mantém suas preferências claras. Bradesco, BTG, B3 e Nubank (ROXO34) seguem como os nomes favoritos para capturar o bom momento da bolsa brasileira.
Segundo os analistas, essas empresas combinam exposição ao fluxo positivo com fundamentos próprios capazes de sustentar os preços mesmo em um cenário de maior volatilidade. 
Já ações como Banco do Brasil e XP, apesar da alta recente, são vistas como apostas tardias, com risco elevado e pouco espaço para surpresas positivas.
📈 “Priorizamos qualidade, previsibilidade e resultados. Com o mercado já esticado, não há necessidade de inovar”, resume o Itaú BBA.