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Natura (NATU3) anunciou nesta segunda-feira (30), um novo acordo de acionistas de dez anos, a migração dos fundadores para um conselho consultivo e um compromisso da Advent International para adquirir entre 8% e 10% das ações da companhia no mercado secundário, com preço-alvo médio de R$ 9,75 por papel, em até seis meses.
A gestora global de private equity comprará entre 109,964 milhões de ações, equivalentes a 8% do capital, e no máximo 137,456 milhões de papéis, correspondentes a 10%.
Com a conclusão da operação, a Advent poderá indicar dois conselheiros e integrar alguns comitês, sem direito a veto nas decisões da companhia nem obrigação de voto conjunto com os demais blocos acionistas, exceto em matérias relacionadas à composição da administração.
As ações adquiridas ficarão sujeitas a restrição de venda por 12 meses após o fechamento do acordo.
Fundadores deixam o conselho e migram para órgão consultivo
Paralelamente, os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos apresentarão renúncia ao conselho de administração para integrar um novo conselho consultivo, órgão sem poderes executivos responsável por preservar os valores e o legado da empresa.
A mudança está sujeita à aprovação na AGOE (Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária) de 2026. Fábio Barbosa, ex-CEO da Natura, também deverá compor o conselho consultivo, se eleito.
A chapa proposta para o conselho de administração, com mandato de dois anos, mantém nomes como Duda Kertész, o CEO João Paulo Ferreira e Alessandro Carlucci, que deve assumir a presidência do colegiado, e inclui novos membros: Pedro Villares, Guilherme Passos, Luiz Guerra, Flávia Almeida e Gabriela Comazzetto.
Bruno Rocha e Gilberto Mifano deixarão o conselho, com Mifano permanecendo à frente do comitê de auditoria e finanças durante a transição.
Operação depende de assembleias e pode ser rescindida
A concretização do acordo com a Advent exige a realização de duas assembleias, uma para aprovar a dispensa da obrigação de realizar OPA (Oferta Pública de Aquisição) por eventual alcance de participação relevante, e outra para ampliar o conselho para até dez vagas.
O compromisso da Advent poderá ser rescindido caso o preço médio das ações supere R$ 9,75 dentro de três meses ou se o investidor não atingir a participação mínima em até seis meses.
CEO celebra retorno às origens
A ação da Natura acumula alta de 28% no ano e o balanço do 4T25 mostrou lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 227 milhões registrado no mesmo período de 2024.
O CEO João Paulo Ferreira reconheceu que a companhia precisou recalcular a rota após aquisições que não entregaram o retorno esperado.
"Todos os investidores enxergam na Natura, na América Latina, uma potência. Mas nós tivemos que lidar com aquisições que não geraram retorno esperados. E decidimos, em 2022, retornar às origens. Foram três anos para fazer a venda da Aesop, da The Body Shop e retornar à nossa fortaleza dentro da América Latina", afirmou.
📊 Segundo o executivo, os investidores estavam aguardando esse momento para voltar a olhar para as ações da Natura com atratividade.