Milhares de artistas de Hollywood se mobilizam contra fusão Paramount-Warner

Manifesto alerta para concentração de mercado e perda de empregos no setor audiovisual.

Author
Publicado em 13/04/2026 às 18:14h Publicado em 13/04/2026 às 18:14h por Wesley Santana
Hollywood é o principal polo da indústria cinematográfica dos Estados Unidos (Imagem: Shutterstock)
Hollywood é o principal polo da indústria cinematográfica dos Estados Unidos (Imagem: Shutterstock)

Mais de 1 mil artistas assinaram um manifesto contra a venda da Warner Bros para a Paramount. Eles dizem que o negócio pode diminuir a concorrência no setor e reduzir as oportunidades para atores e diretores.

Entre os nomes brasileiros, está o da diretora Petra Costa, indicada ao Oscar em 2020. Além dela, Julia Bacha e Bia Borini figuram como signatários da carta aberta.

Há algumas semanas, a Warner Bros chegou a um acordo com a Paramount para a venda de seus estúdios cinematográficos. O contrato prevê o pagamento de US$ 110 bilhões, em uma das maiores transações do mundo artístico global.

Leia mais: Trump afirma que EUA vão bloquear Estreito de Ormuz

“Essa transação deixaria o mercado de mídia, que já é superconcentrado, ainda mais nas mãos de poucos, reduzindo a competição num momento em que nossos setores — e as plateias que atendemos — menos podem suportar isso”, diz o texto. “O resultado será menos oportunidades para criadores, menos empregos em toda a cadeia de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e no resto do mundo”, continua.

Ambos os estúdios foram procurados pela imprensa, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O acordo está passando por análise dos órgãos reguladores dos EUA e da Europa.

Netflix está fora da disputa

A possível venda da Warner também contava com a Netflix na fila de compra. No entanto, a companhia de streaming decidiu deixar a disputa e não oferecer um valor que cobrisse o do rival.

“Sempre fomos disciplinados e, pelo preço necessário para igualar a oferta mais recente da Paramount Skydance, o negócio deixou de ser financeiramente atraente, por isso estamos optando por não igualar a proposta”, disseram os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, em comunicado. “Essa transação sempre foi algo ‘bom de ter’ pelo preço certo”, esclareceram.

A Paramount vai pagar US$ 31 por ação, totalizando os US$ 110 bilhões. Além disso, há uma espécie de multa de US$ 7 bilhões, caso os órgãos reguladores barrem o avanço do negócio.

A transação, no entanto, é dada como certa porque movimenta também a política dos EUA. O genro do presidente Donald Trump é um dos executivos por trás da oferta. Agora, resta uma preocupação dos investidores em relação à independência do canal de notícias CNN, que faz parte do pacote.