O encontro, a uma semana do segundo turno, começou em clima de forte tensão, com os dois candidatos priorizando ataques ao adversário em temas como o caso Master, as investigações envolvendo familiares e as fraudes no INSS.
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Nenhum dos dois havia participado de debates no primeiro turno. O encontro da Band em agosto ocorreu sem eles, e o debate da TV Globo previsto para 1º de outubro acabou cancelado em meio a decisões judiciais sobre suas regras.
Na votação de 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões, e Lula ficou com 45,16%, aproximadamente 53,9 milhões.
Mediado pelos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, o debate foi dividido em três blocos. No primeiro, cada candidato respondeu a perguntas dos mediadores e, em seguida, os dois tiveram 30 minutos de confronto direto, com 15 minutos de tempo administrado por cada um.
Os dois blocos seguintes previam perguntas dos apresentadores e questionamentos entre os candidatos, com tempo para resposta, réplica e tréplica, e o último terminava com as considerações finais.
Flávio chegou prometendo "esfregar verdades" em Lula
O senador foi o primeiro a chegar aos estúdios e deu o tom do que pretendia fazer. "É a melhor possível. Agora é a oportunidade trazer verdade para a população brasileira. O Brasil escolheu a mudança no primeiro turno e vai escolher no segundo turno também", afirmou. Em seguida, mirou o adversário.
"A base da campanha do PT foi a mentira. Vai ser muito prazeroso esfregar verdades na cara dele", disse.
Na terça-feira (13), Flávio chegou a anunciar que não iria ao debate, mas voltou atrás e confirmou presença.
Caso Master domina o primeiro bloco
Foi Lula quem levou o caso Master para o confronto direto. O presidente cobrou explicações de Flávio sobre a relação com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e afirmou que o senador mentiu 43 vezes sobre o tema.
Flávio respondeu que o dinheiro foi investido no filme
"Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, e Lula rebateu de imediato. "No filme não foi", disse o petista. Segundo a investigação da Polícia Federal, foram enviados R$ 61 milhões para a obra.
Flávio reagiu com acusações contra o presidente. O senador afirmou que Lula teria recebido R$ 30 milhões de Vorcaro por meio do Instituto Lula, como contrapartida para dar ao Master acesso a fundos previdenciários de autarquias, citando reportagem da revista "Veja".
O candidato do PL também mencionou uma reunião fechada entre Lula e o banqueiro no Palácio do Planalto e questionou o que o presidente teria prometido a Vorcaro. Lula respondeu que, na ocasião, disse ao banqueiro que ele seria preso.
Lulinha, Luchsinger e fraudes no INSS entram no confronto
A lobista havia dado entrevista à CNN Brasil neste fim de semana com ataques ao presidente, que o Planalto rebateu negando qualquer contato com ela.
Os dois também trocaram acusações sobre as fraudes no INSS. Lula sustentou que o esquema foi criado no governo de Jair Bolsonaro e desarticulado em sua gestão. Flávio afirmou que o escândalo surgiu sob a administração petista. Em diferentes momentos, os candidatos chegaram a se acusar de ser "miliciano" e "corrupto".
Lula cobra Flávio sobre licença-maternidade e mudanças na 6x1
Lula também levou ao debate temas ligados à agenda social. O presidente questionou Flávio sobre o voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando o senador era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), pergunta que ficou sem resposta.
O petista ainda cobrou explicações sobre as propostas de Flávio para alterar a PEC que acabou com a escala 6x1, promulgada na sexta-feira (16). O senador havia criticado a proposta anteriormente, mas votou a favor da medida no Senado.
Em outro momento de tensão, Lula elevou o tom contra o adversário e seus aliados. "Na verdade, o que vocês estão fazendo é trair a pátria e vocês serão julgados por isso", afirmou o presidente.
Debate ocorre em meio a empate técnico nas pesquisas