🚨 O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que acredita em um entendimento entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros.
Ainda assim, o presidente deixou claro que a possibilidade de uma resposta na mesma moeda continua sobre a mesa.
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Em entrevista à TV Globo, Lula sinalizou confiança em um acordo, mas não descartou a eventual aplicação de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, recurso que o governo brasileiro passou a estudar desde que as tarifas entraram em vigor.
Lula diz que perda com os EUA foi compensada
Na avaliação do presidente, o impacto do tarifaço sobre a economia brasileira foi parcialmente amortecido pela diversificação dos destinos das exportações.
Lula reconheceu que houve queda no comércio com os Estados Unidos, mas destacou que o país ampliou as trocas com outros parceiros relevantes, como a China e a União Europeia.
O argumento reforça uma linha que o governo vem adotando desde o início da crise comercial, a de que a busca por novos mercados reduz a dependência brasileira em relação ao comércio com Washington.
Sobretaxa de até 37,5% abriu crise comercial
As tarifas que estão no centro da disputa foram aplicadas pelo governo de Donald Trump ao longo deste ano.
A sobretaxa sobre as exportações brasileiras chegou a até 37,5%, resultado da combinação de uma tarifa de 25% baseada na Seção 301 da legislação comercial americana com outra de 12,5% relacionada a alegações de trabalho forçado.
Entre as justificativas apresentadas por Washington para as tarifas de julho estava o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, citado pelos Estados Unidos entre as chamadas "práticas desleais" de comércio.
Em resposta, o governo brasileiro iniciou a análise de possíveis medidas de reciprocidade, com base na legislação aprovada para esse tipo de situação.
Negociação foi retomada após telefonema entre Lula e Trump
O canal de diálogo entre os dois governos voltou a se abrir em agosto, depois de um telefonema de cerca de uma hora e vinte minutos entre Lula e Trump, no qual os dois presidentes trataram de comércio, crime organizado e conflitos internacionais.
A partir dali, as equipes técnicas dos dois países retomaram as conversas sobre a relação comercial e o tarifaço.
Desde então, Trump também recebeu empresários brasileiros em Washington. Entre eles estiveram o banqueiro André Esteves, do
BTG Pactual (BPAC11), que tratou da relação comercial entre os países, e Joesley Batista, da J&F, que discutiu a redução das tarifas sobre a carne bovina brasileira.
A fala de Lula ocorre a dez dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, em que o presidente enfrenta o senador
Flávio Bolsonaro (PL).
📊 No início de setembro, Trump chegou a afirmar que mantinha um "bom relacionamento" com o Brasil, sem citar diretamente nenhum dos candidatos, enquanto o Palácio do Planalto acompanhava com atenção possíveis sinais de interferência americana na disputa.