Lobista chama Lula de "mentiroso" e diz querer delação; Flávio comemora

A lobista Roberta Luchsinger chamou Lula de mau-caráter e disse querer delação; o Planalto negou qualquer contato com ela.

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Publicado em 18/10/2026 às 16:37h Publicado em 18/10/2026 às 16:37h por Matheus Silva
A lobista e Lulinha são investigados pela PF por tráfico de influência (Imagem: Reprodução CNN)
A lobista e Lulinha são investigados pela PF por tráfico de influência (Imagem: Reprodução CNN)
🚨 A uma semana do segundo turno, uma entrevista concedida pela lobista Roberta Luchsinger à CNN Brasil movimentou a campanha presidencial neste fim de semana. 
Na conversa, ela afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "continua mentindo", chamou-o de "mau-caráter" e fez ataques a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. 
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O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa, comemorou as declarações nas redes sociais.
"Bomba na família Lula. 'Mentiroso e mau-caráter'. Fala tudo, Roberta", escreveu o candidato do PL.
Roberta Luchsinger e Lulinha são investigados pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Na entrevista, a lobista afirmou que pretende fazer um acordo de delação premiada e disse que não vai poupar nem Lula nem o filho do presidente. 
Ela também declarou que Lulinha teria se reunido "inúmeras vezes" com ministros e que teria sido usada como "boi de piranha".

Lobista revida após ser chamada de "pilantra"

As declarações vieram em tom de resposta. Chamada de "pilantra" por Lula em entrevistas anteriores, a lobista revidou e afirmou que o presidente é "mau-caráter, mentiroso, senil e machista". 
Ela também relatou estar recebendo ameaças de morte e disse temer pela segurança das filhas.

Deputados do PL pedem proteção à testemunha

A repercussão levou parlamentares do PL a agir. O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou ter protocolado ofícios à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo proteção para Luchsinger. 
Ele também disse que vai solicitar a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, para prestar esclarecimentos à Comissão de Segurança Pública.
Em outra frente, a deputada Coronel Fernanda (PL-MT), procuradora da mulher na Câmara, anunciou que também pedirá proteção à lobista. 
"Como Procuradora da Mulher na Câmara, solicito sua inclusão imediata no Programa de Proteção a Testemunhas, diante da gravidade das denúncias e dos riscos à segurança dela e de suas filhas", afirmou.
O próprio PL também usou as redes sociais para repercutir a entrevista. "O Brasil precisa saber o que está acontecendo. Mentiroso e mau-caráter. Lula pai da mentira. Fala tudo, Roberta, Lula corrupto e mentiroso. Acabou pro Lula, delata Roberta", publicou o partido no X.

Janones orienta apoiadores a ignorar o assunto

Do lado governista, a estratégia foi evitar o confronto nas redes. O deputado André Janones (Rede-MG), que comanda o "Exército do Lula", canal de WhatsApp com cerca de 5 milhões de participantes voltado à campanha de reeleição, orientou os apoiadores a não engajarem em nada relacionado à entrevista.
"Se a campanha tiver que responder alguma coisa, vai responder na televisão, no jornal, onde a lógica do algoritmo não funciona", disse Janones. "Você não vai engajar em nada negativo ao presidente."
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, preferiu contrastar a reação de Lula com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em situações envolvendo os filhos. 
"Quando o filho de Lula foi citado numa investigação, o presidente chegou e disse: 'investiga'. Quando Flávio estava sendo investigado, Bolsonaro disse numa reunião de ministros que ia trocar o diretor da Polícia Federal, e, se preciso, trocar até o ministro para poder proteger o filho dele", afirmou.

Planalto nega qualquer contato com a lobista

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou nota negando que Lula tenha mantido contato com Roberta Luchsinger e afirmando que o presidente desconhece os fatos relatados por ela. 
O comunicado também estranha o fato de a entrevista ter sido concedida às vésperas do segundo turno.
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", diz a nota.
📊 O episódio deve chegar ao centro do debate entre Lula e Flávio Bolsonaro marcado para este domingo (18), na TV Band. O segundo turno da eleição presidencial ocorre em 25 de outubro.