O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do Brasil, subiu 0,32% em outubro de 2026, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços de alimentos e bebidas, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (23).
Apesar da pressão sobre a alimentação, o índice desacelerou em relação à alta de 0,70% registrada em setembro e ficou abaixo das expectativas do mercado. No acumulado de 2026, o indicador registra avanço de 4,15%. Já em 12 meses, a alta chegou a 4,62%, acima dos 4,47% observados no período imediatamente anterior.
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"Veio abaixo do esperado, mas a composição foi claramente pior do que o headline sugere. A surpresa baixista foi integralmente explicada pelas passagens aéreas, enquanto as medidas de núcleo, o núcleo de serviços e os serviços intensivos em trabalho aceleraram tanto em termos sequenciais quanto anuais", avaliou Basiliki Litvac, economista da XP Investimentos.
Alimentos lideram a pressão sobre a inflação
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, oito apresentaram aumento de preços no mês. Alimentação e Bebidas teve a maior variação, de 0,88%, e também exerceu o maior impacto sobre o índice geral, com contribuição de 0,19 ponto percentual.
Dentro desse grupo, a alimentação consumida em casa acelerou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro. Entre os produtos que mais encareceram estão o tomate, com alta de 24,54%, a cebola, que subiu 13,63%, a batata-inglesa, com avanço de 10,96%, e o arroz, que ficou 5,80% mais caro.
Na direção contrária, alguns itens ajudaram a amenizar a pressão no orçamento. Os preços da cenoura recuaram 10,67%, enquanto as frutas tiveram queda de 1,37% e o café moído ficou 1,16% mais barato.
A alimentação fora de casa também apresentou aceleração. O indicador passou de 0,44% em setembro para 0,56% em outubro, movimento influenciado pelo aumento dos preços das refeições, cuja variação avançou de 0,38% para 0,61%, e dos lanches, que passaram de 0,44% para 0,66%.
Energia elétrica ajuda a conter o índice
Na outra ponta, o grupo Habitação registrou queda de 0,10% em outubro, após avançar 2,07% no mês anterior. O principal fator para a mudança foi a energia elétrica residencial, que saiu de uma alta de 7,42% em setembro para um recuo de 0,89% em outubro.
A redução ocorreu com a mudança da bandeira tarifária amarela para a verde, que elimina a cobrança adicional por consumo de energia. Em contrapartida, o gás de botijão subiu 1,28%, enquanto o aluguel residencial teve aumento de 0,28%.
Em Transportes, a variação foi positiva em 0,05%. Os combustíveis voltaram a pressionar os preços, passando de uma alta de 0,22% em setembro para 1,20% em outubro. O diesel avançou 3,70%, o etanol subiu 2,73% e a gasolina teve elevação de 0,92%.
Já as passagens aéreas recuaram 9,24%, registrando o principal impacto negativo individual sobre o índice do mês, de -0,08 ponto percentual. O grupo Despesas Pessoais avançou 0,55% em outubro.
Entre os principais destaques estão os preços de cinema, teatro e concertos, que aumentaram 4,30%, além dos pacotes turísticos, com alta de 2,18%, e dos serviços de empregado doméstico, que subiram 0,62%.