A inflação oficial brasileira acelerou 0,88% em março, já sob os efeitos da guerra no Oriente Médio.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação dos transportes mais do que dobrou no primeiro mês da guerra, saltando de 0,74% em fevereiro para 1,64% em março.
A maior pressão veio da gasolina, que ficou 4,59% mais cara. Destaque também para o óleo diesel e as passagens aéreas, que dispararam 13,90% e 6,08%, respectivamente.
O Executivo ainda ampliou a fiscalização nos postos de combustíveis, para evitar aumentos abusivos de preços, sobretudo da gasolina.
Alimentos também pesam
🍅 Os alimentos também pesaram na inflação de março, devido à redução da oferta de alguns produtos, mas também à alta do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros.
De acordo com o IBGE, os preços dos alimentos e bebidas aceleraram de 0,26% em fevereiro para 1,56% em março, puxados pela alimentação no domicílio.
Entre os produtos que mais subiram, estão tomate (20,31%), cebola (17,25%), batata-inglesa (12,17%), leite longa vida (11,74%) e carnes (1,73%).
Alta generalizada
Os outros sete grupos de produtos e serviços que compõem a inflação também registraram altas de preços em março, sob pressão de itens como o cinema, o plano de saúde e a energia elétrica residencial.
Veja as altas:
- Transportes: 1,64%;
- Alimentação e bebidas: 1,56%;
- Despesas pessoais: 0,65%;
- Artigos de residência: 0,51%;
- Vestuário: 0,46%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,42%;
- Habitação: 0,22%;
- Comunicação: 0,19%;
- Educação: 0,02%.
Pressão sob os juros
A alta de 0,88% da inflação de março foi a maior em mais de um ano, perdendo apenas para o avanço de 1,31% registrado em fevereiro de 2025. O resultado ainda ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava uma alta de 0,77% do IPCA.
📊 Com isso, a inflação já acumula uma alta de 1,92% em 2026 e de 4,14% nos últimos 12 meses, aproximando-se do teto da meta de inflação, que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
O IPCA de março pode elevar, portanto, as incertezas sobre os próximos cortes de juros. Afinal, o BC (Banco Central) já disse que o rumo da
Selic vai depender dos efeitos da guerra na inflação, além das expectativas de inflação.
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Atualmente, o mercado projeta uma alta de 4,36% do IPCA em 2026. Por isso, acredita que a Selic vai cair dos atuais 14,75% para 12,50% até o final do ano, segundo o
Boletim Focus.
Antes da guerra, no entanto, a expectativa era de que a inflação ficasse abaixo dos 4% e de que os juros pudessem cair até 12%.