Galípolo já ouviu BRB, Master e BTG; agora terá que dar explicações ao Senado

A CAE do Senado aprovou um requerimento pedindo informações ao BC sobre a compra do Master pelo BTG.

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Publicado em 02/04/2025 às 12:56h - Atualizado 17 horas atrás Publicado em 02/04/2025 às 12:56h Atualizado 17 horas atrás por Marina Barbosa
Presidente do BC também se reuniu com senadores do DF (Imagem: Banco Central/Divulgação)

O BC (Banco Central) tem um prazo de até 360 dias para analisar a compra de 58% do Banco Master pelo BRB (BSLI4), anunciada na última sexta-feira (28). Contudo, o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, parece já estar imerso na situação e terá que dar explicações públicas sobre o assunto.

🏦 O presidente do BC, Gabriel Galípolo, reuniu-se com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, já na segunda-feira (31). No mesmo dia, ainda conversou com André Esteves, presidente do BTG Pactual (BPAC11), que estaria interessado em comprar os ativos do Master que ficaram de fora do acordo com o BRB.

As tratativas seguiram na terça-feira (1º), com reuniões com o CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, e com senadores do Distrito Federal, que demonstraram preocupação com o negócio - Izalci Lucas (PL/DF), Damares Alves (Republicanos/DF) e Leila Barros (PDT/DF).

O senador Izalci Lucas chegou a apresentar um requerimento pedindo informações ao BC sobre o negócio. O requerimento foi aprovado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado nessa terça-feira (1º). Por isso, Galípolo terá que prestar esclarecimentos à comissão nos próximos 30 dias.

Senado quer saber se há riscos para o BRB

"A compra do Banco Master pelo BRB, anunciada na semana passada, avaliada em R$ 2 bilhões, é uma operação estratégica que visa criar um conglomerado financeiro mais robusto. No entanto, ela envolve riscos que precisam ser analisados sob diferentes perspectivas: financeira, operacional, regulatória e de mercado", argumentou Izalci Lucas.

💲 O requerimento apresentado pelo senador questiona, por exemplo, o valor que o BRB está disposto a pagar pelos ativos do Banco Master. O receio do senador é de que o valor de R$ 2 bilhões, equivalente a 75% do patrimônio líquido do Banco Master, "não reflita a real saúde financeira do Master, especialmente devido à sua carteira de ativos controversos (como precatórios e ações de empresas em dificuldade financeira)".

No documento, o senador também indaga se a transação não pode comprometer a rentabilidade do BRB, devido ao alto custo de captação e as contingências referentes ao Master.

Por isso, a CAE pediu que o BC apresente, entre outras coisas, informações sobre os possíveis riscos, consequências e chances de que os ativos do Master "contaminem o patrimônio e as demonstrações contábeis do BRB, ocasionando potenciais prejuízos para o próprio BRB, para os seus funcionários e para a população do Distrito Federal".

Leia também: Lucro líquido do Banco Master atinge R$ 1 bilhão em 2024

MP investiga situação

O BRB é uma sociedade de economia mista, cujo acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal. Por isso, o Sindicato dos Bancários do Distrito Federal já havia questionado sobre os "possíveis impactos dessa decisão sobre o patrimônio público e a economia do Distrito Federal".

⚖️ Além disso, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios instaurou um inquérito civil para apurar as circunstâncias de compra e venda de ações do Banco Master pelo Banco de Brasília. O teor da portaria que deu início à investigação ainda não foi publicado.

A compra de 58% do Banco Master pelo BRB vem sendo questionada não apenas por causa do caráter estatal do Banco de Brasília, mas sobretudo pelos ativos do Master. Afinal, o banco digital vinha investindo em ativos pouco líquidos, como precatórios, e também vinha pagando bem mais que outros bancos para captar dinheiro.

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Banco Master, por exemplo, chegaram a oferecer um retorno de 140% do CDI em 2024, enquanto os grandes bancos costumam pagar algo mais próximo do CDI. E muitos desses CDBs eram cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), o fundo que protege correntistas e investidores de bancos em risco de solvência. Por isso, há um receio de que uma eventual quebra do Master drenasse boa parte dos recursos do FGC.