💰 O aumento da pressão social, política e regulatória sobre a Enel trouxe de volta o debate sobre a permanência da companhia no Brasil.
Segundo relatório da XP Investimentos, o cenário mais provável é o avanço de um processo de desinvestimento nas distribuidoras, caso a deterioração da percepção de qualidade e os riscos regulatórios se intensifiquem.
Indicadores como DEC/FEC e NPS (IASC) mostram perda relevante de satisfação dos consumidores, o que pode comprometer os processos de renovação das concessões em São Paulo e no Ceará.
Nesse contexto, a XP avalia que o custo de permanecer pode superar o custo de sair, tornando a venda dos ativos uma alternativa racional para maximizar geração de caixa.
O valor em jogo
A análise considera dois cenários principais. No cenário “as is” (como está), o valor da firma (EV) das distribuidoras da Enel no Brasil seria de aproximadamente R$ 40 bilhões, equivalente a 1,0 vez EV/RAB (Base de Ativos Regulatória) estimado para 2026.
Em um cenário de melhorias operacionais e redução do custo de capital, o EV poderia alcançar R$ 64 bilhões, ou 1,6 vez EV/RAB, implicando potencial adicional de criação de valor da ordem de R$ 24 bilhões.
Dependendo do preço de aquisição, o VPL (valor presente líquido) poderia variar entre 6% e 36% do valor de mercado dos compradores.
A Enel São Paulo é vista como o ativo mais estratégico, a “joia da coroa”, enquanto Ceará aparece como ativo com potencial relevante e Rio de Janeiro como operação com menor atratividade.
Quem poderia comprar?
Entre as empresas listadas, a XP aponta como candidatas naturais:
Com exceção da Copel, as demais teriam capacidade de realizar uma aquisição integral da Enel SP até múltiplos entre 1,4x e 1,5x EV/RAB.
A XP destaca que a CPFL seria a única com espaço para ir além desse patamar sem necessidade imediata de aumento de capital, considerando níveis de alavancagem.
Caso a Enel optasse por vender São Paulo e Rio de Janeiro em pacote único, o desafio aumentaria.
Segundo o relatório, nenhuma empresa teria, isoladamente, balanço suficiente para absorver o conjunto sem recorrer a captação relevante de dívida ou aporte adicional de capital.
Reconfiguração do setor
Uma eventual saída da Enel poderia representar uma das maiores reorganizações do setor elétrico brasileiro nos últimos anos.
Além do impacto financeiro, a mudança alteraria a estrutura competitiva das distribuidoras e abriria espaço para consolidação adicional no segmento.
📈 Para o mercado, a questão já não parece ser “se” haverá desinvestimento, mas “como” e “a que preço” ele ocorrerá e quais empresas estarão dispostas a assumir os ativos em meio ao ambiente regulatório e político cada vez mais sensível.