Você não emprestaria o seu dinheiro para qualquer pessoa, da mesma forma nem todo
título de renda fixa vale a pena, sobretudo quando o risco de calote é muito maior fora da máquina de imprimir dinheiro do
Tesouro Direto. Mas, não é que as debêntures da
Energisa (ENGI11) têm o "molho", na visão dos profissionais de mercado.
Os analistas do BTG Pactual encontram um prêmio de crédito bastante atrativo nas debêntures emitidas pela Energisa Paraíba, sob o código SAELB7, com vencimento no dia 15 de outubro de 2040. Ou seja, é um título de renda fixa para quem tem meta para o longo prazo.
Mas quanto está pagando a companhia elétrica pelo dinheiro emprestado? A taxa indicativa das debêntures da Energisa Paraíba era de
IPCA+ 7,30% ao ano nesta quarta-feira (8), conforme consulta de dados na Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Comparando a remuneração de I
IPCA+ 7,30% ao ano oferecida pelas debêntures da Energisa Paraíba nas corretoras contra o seu título de referência no Tesouro Direto, vemos que o
Tesouro IPCA+ 2040 paga
IPCA+ 7,15% ao ano, só que com a cobrança de imposto de renda no resgate do dinheiro.
Por sua vez, tais títulos de renda fixa da Energia são
debêntures incentivadas, logo não há pedágio com o Leão da Receita Federal, o que só aumenta o diferencial de lucro comparativo com o Tesouro Direto.
Só que, mesmo pertencendo ao
setor elétrico, emprestar dinheiro à Energisa tem seus riscos, a começar que não há proteção do
FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Logo, se a empresa tiver dificuldades financeiras no futuro, os debenturistas podem assumir prejuízos.
O
ChatIA, a ferramenta de inteligência artificial do
Investidor10, simulou que R$ 50 mil aplicados nesta data em debêntures incentivadas da Energisa Paraíba, com taxa de
IPCA+ 7,30% ao ano e vencimento em 2040, retornaria R$ 132.450,00.
Por que ter debêntures da Energisa?
Os analistas Frederico Khouri e Luís Gonçalves, do BTG Pactual, colocaram no radar os títulos de renda fixa da Energisa Paraíba, pois a companhia dispõe de concessões maduras e com prazo alongado, bons indicadores operacionais de qualidade e fiança da holding.
Para se ter uma dimensão, o Grupo Energisa trabalha tanto com a distribuição de energia quanto com a transmissão de linhas elétricas, além de comercializar gás natural. Opera distribuidoras em onze estados brasileiros, incluindo a Paraíba.
Especificamente, as debêntures incentivadas, sob o código SAELB7, angariaram R$ 198 milhões à distribuidora de energia. Em troca, os debenturistas recebem juros semestrais a partir de outubro de 2038. Chama a atenção que a amortização, a devolução de parte do principal emprestado, se dá semestralmente desde abril de 2026.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings conferiu uma nota de crédito 'AAA' para as debêntures incentivadas da Energisa Paraíba, o melhor rating possível, o que também corrobora para a recomendação positiva do BTG Pactual sobre o investimento.
A cautela dos investidores de renda fixa deve se pautar no perfil de dívida do Grupo Energisa. Ao final de 2025, a empresa detinha caixa de R$ 12,6 bilhões. Neste ano, a empresa já precisa honrar R$ 6,5 bilhões, ou seja, praticamente todo o saldo que tinha.
Na sequência, são R$ 6,4 bilhões em dívidas previstas para 2027, mais R$ 2 bilhões a serem pagos em 2028, além de R$ 5,5 bilhões em 2029. Como o
setor elétrico demanda muitos recursos, a partir de 2030, a Energisa ainda terá de arcar com R$ 24,4 bilhões em dívidas.
"A alavancagem da Energisa aumentou de 3 vezes para 3,6 vezes sua Dívida Líquida Sobre Ebitda, refletindo um nível ainda elevado de investimentos, que totalizaram R$ 6,6 bilhões em 2025, concentrados no segmento de distribuição, demandando maior financiamento antes da captura de retorno no Ebitda (Lucro Operacional)", destacam a dupla de analistas do BTG Pactual.