Copom se reúne para decidir se corta a Selic em meio à guerra no Irã

O mercado descartou a possibilidade de um corte de 0,50 p.p. dos juros diante da guerra no Irã; veja qual é a nova expectativa para esta reunião do Copom.

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Publicado em 17/03/2026 às 07:46h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 17/03/2026 às 07:46h Atualizado 3 minutos atrás por Marina Barbosa
O Copom anuncia a sua decisão na quarta-feira, após o fechamento do mercado (Imagem: Shutteratock)
O Copom anuncia a sua decisão na quarta-feira, após o fechamento do mercado (Imagem: Shutteratock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne para definir o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira nesta terça (17) e quarta-feira (18).
🏦 No mercado, a dúvida é se o Copom vai manter o plano de cortar a Selic mesmo diante das incertezas deflagradas pela guerra no Irã.
Antes do conflito, a expectativa era de que a Selic caísse dos atuais 15% para 14,50% nesta semana, chegando a 12% no final do ano. Contudo, essa rota foi praticamente descartada pelos analistas diante da guerra.
Agora, a maior parte do mercado acredita que o Copom ainda vai cortar os juros nesta quarta-feira (18), mas de forma mais moderada. A expectativa é de um ajuste de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 14,75%.
Porém, também há quem não veja espaço nem para isso. A XP, por exemplo, acredita que o Copom deve adiar o corte de juros para abril, mantendo a Selic em 15% nesta semana.
Na dúvida, as apostas para a taxa de juros do final do ano também estão sob revisão, com projeções que variam de 12,13% a 13,00%.

As incertezas do cenário

Em janeiro, o Copom indicou que pretendia iniciar a flexibilização da política monetária nesta reunião, caso o cenário esperado se confirme. 
Ou seja, caso a inflação e as expectativas de inflação continuassem em queda e caso a atividade econômica seguisse mostrando sinais de desaceleração.
Este cenário, no entanto, não se confirmou e as incertezas sobre o rumo da inflação só aumentaram com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
📈 A inflação surpreendeu ao acelerar 0,70% em fevereiro, pressionada pelos reajustes das mensalidades escolares e pelas despesas com transportes.
Os dados de atividade econômica também vieram acima do esperado neste início do ano, sustentados pela força do mercado de trabalho e do consumo das famílias.
"Os números do PIB do 4T25 confirmaram que a atividade econômica perdeu fôlego no ano passado. No entanto, indicadores de janeiro e fevereiro sugerem aceleração", comentou a XP.
Além disso, a expectativa de inflação deste ano disparou e voltou a ficar acima dos 4% diante da guerra no Irã, segundo o Boletim Focus.
⛽ Afinal, o conflito levou os preços internacionais do petróleo ao maior patamar dos últimos quatro anos e pressionou a Petrobras (PETR4) a reajustar o diesel, o que pode afetar o custo do frete de diversos produtos no Brasil caso o esforço do governo para conter o repasse do reajuste aos consumidores não seja suficiente.
Ou seja, o choque do petróleo interrompeu, mesmo que temporariamente, a trajetória de melhora das expectativas de inflação, impactando diretamente o balanço de riscos do Copom, como observou o Itaú BBA.
Por outro lado, analistas lembram que as últimas semanas também evidenciaram o peso dos juros altos sobre as empresas, o que favoreceria o corte de juros. O maior exemplo foi o aumento dos pedidos de recuperação extrajudicial, a saída encontrada por Raízen (RAIZ4) e GPA (PCAR3) para renegociar suas dívidas.

A Selic vai cair?

Na avaliação do BTG Pactual, o cenário recente trouxe sinais mistos para o Copom, embora o principal fator de incerteza esteja mesmo nos preços do petróleo.
"A magnitude do choque e, sobretudo, a elevada incerteza quanto à sua persistência ampliam os riscos de desancoragem das expectativas, contaminação dos núcleos e reforço da inflação inercial", explicou.
📊 Diante disso, o BTG passou a ver como "improvável" um corte de 0,50 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira (18), a não ser que a incerteza no mercado externo diminua de forma considerável até o final da reunião do Copom.
O BTG aposta, então, em um ajuste mais moderado da Selic nesta semana, que levaria os juros para 14,75% ao ano.
"O tamanho do choque recente no petróleo e a elevada incerteza sobre sua persistência justificariam, em nossa avaliação, um início de ciclo mais conservador, com corte de 25 pb, acompanhado de sinalização de que o ciclo deve continuar na próxima reunião, com ritmo dependente da evolução do cenário", afirmou.
O Itaú BBA também passou a trabalhar com um corte inicial de 0,25 ponto percentual dos juros, diante dos riscos inflacionários trazidos pela disparada do petróleo.
Além disso, diz que o Copom deve renovar o discurso de cautela e serenidade na condução da política monetária, podendo até indicar que está pronto para interromper qualquer ajuste da Selic caso os choques se provem mais persistentes ou maiores do que o antecipado.
⚠️ Por outro lado, a XP acredita que não há mais espaço para corte de juros nesta semana. Por isso, aposta na manutenção da Selic nos atuais 15% até a próxima reunião do Copom, em abril.
"Há mudanças e incertezas suficientes no cenário para justificar uma abordagem mais cautelosa de 'esperar para ver'", diz a XP.
Ainda assim, a expectativa da XP é de que as tensões no Oriente Médio percam intensidade e que os preços do petróleo voltem para a faixa dos US$ 70 o barril, o que permitiria o corte da Selic a partir de abril.