Investir em
renda fixa é, na verdade, mais sobre emprestar o seu dinheiro a alguém por determinado tempo e recebê-lo de volta acrescido de bons
juros compostos. Casar uma meta financeira ou um sonho ao prazo de vencimento de um título é o ideal a se fazer, na visão de especialistas.
Todavia, vale muito a pena entender qual é a narrativa dos mercados em abril de 2026, pois tal conhecimento aumenta as chances dos investidores de renda fixa se travarem com boas taxas e protegerem o seu patrimônio dos intensos solavancos da bolsa de valores.
Sem mais delongas, para quem é mais conservador ou só está focado em completar a sua
reserva de emergência, o momento ainda é oportuno para colocar dinheiro em títulos indexados à
Selic ou ao
CDI.
Mesmo com a queda progressiva da taxa Selic ao longo do ano, a chamada renda fixa seguirá atrativa no curto prazo, embora analistas do BTG Pactual não escondam que o
CDI, historicamente, apresenta o pior desempenho 12 meses prospectivamente antes do início do ciclo de corte de juros.
Nas projeções do estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, Marcelo Freller, um
CDB pagando 105% do CDI ainda tem condições de bancar o cobiçado 1% ao mês pelos próximos 12 meses, uma vez que a
taxa Selic não cairá tão rápido quanto se previa antes.
Prefixados e IPCA+
Quem tolera mais risco na carteira e deseja lucrar pesado na marcação a mercado geralmente está olhando para os títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+), sobretudo, títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto, dada a facilidade de entrada e saída.
Conforme Álvaro Frasson, estrategista-chefe do BTG Pactual, são os títulos públicos
Tesouro IPCA+ de longo prazo que ostentam as melhores oportunidades na renda fixa brasileira em abril de 2026.
"Acreditamos que a curva de juros reais segue bastante atrativa, sobretudo nos vértices médios/longos, e com expectativas de inflação (ainda que marginalmente melhores) desancoradas para os próximos 12 meses, compondo fundamentos atrativos para o posicionamento tático", explica o especialista.
Embora o
Tesouro Renda+ 2065 tenda a entregar ganhos exponenciais se os juros compostos recuarem bastante e rapidamente, na outra ponta, quaisquer ligeiras subidas das taxas, como vimos no mês passado, podem destravar prejuízos na marcação a mercado.
Por isso, Frasson recomenda que os investidores construam uma carteira diversificada de títulos indexados à inflação, buscando um prazo de vencimento médio de 7 anos, mas com viés de maior alongamento nos vencimentos em razão dos elevados prêmios de risco e timing atrativo para a redução dos mesmos.
Sobre os títulos prefixados, o BTG Pactual recomenda não extrapolar um prazo de vencimento médio de 4 anos, já que trata-se do indexador de renda fixa mais arriscado, fora o risco inflacionário que a guerra no Irã pode provocar ao Brasil. Ainda é possível encontrar
títulos privados emitidos por empresas resilientes pagando acima de
16% ao ano.