Assim como o Brasil tem a sua
taxa Selic (atualmente em 15% ao ano), cada país no mundo tem lá a sua taxa básica. E quem tem dado o que falar neste início de dezembro de 2025 são os juros do Japão, os quais podem ser alvo de aumento ainda neste mês, o que pode ser uma bomba relógio para a
cotação do dólar no mundo, inclusive por aqui.
O mais recente capítulo da novela sobre o fim do carry trade (diferencial atrativo dos juros) teve como protagonista o Banco Central do Japão (BoJ, na sigla em inglês), que deu a entender que os juros no país poderão subir ainda em dezembro, ante os atuais 0,5% ao ano, para bater em 0,75% ao ano.
Enquanto aqui no Brasil possa parecer irrisório esse patamar de juros inferior a 1% ao ano, nunca custa lembrar que há pouco tempo o Japão mantinha juros negativos, o que incentivava os grandes investidores a fazerem dívidas na
moeda oficial japonesa para depois usarem os recursos em outras economias para ganhar com o diferencial de juros, o famoso carry trade.
Só que nesta reta final de 2025, o
iene japonês segue nas máximas ante o dólar americano, na proporção de ¥ 155,50, o que justifica o interesse do presidente do BoJ, Ueda Kazuo, em querer desvalorizar a moeda japonesa, justamente para tornar as exportações do país mais competitivas e favorecer gigantes da indústria, como a montadora
Toyota (TMCO34), cujas ações desabam -10% no ano.
Para quem não entendeu como o Brasil entra nesse tabuleiro geopolítico, basta se atentar que, por mais que a taxa nominal de juros no Japão seja bem inferior à taxa Selic brasileira, o
iene é uma das moedas mais fortes do mundo e os títulos do governo japonês oferecem rendimentos recordes no momento, o que incentiva a troca de investimentos por aqui, passando pelo dólar americano.
Só para se ter uma ideia, os juros do título do governo japonês com vencimento em 10 anos (que seria equivalente ao nosso Tesouro Prefixado 2035) chegaram a pagar 1,875% ao ano na máxima do pregão na última segunda-feira (1º). Já o rendimento do título de renda fixa com vencimento em dois anos oferecia 1,01% ao ano, seu maior nível desde a crise financeira de 2008.
Por ora, a cotação do dólar comercial no Brasil ainda não sentiu tanto os efeitos do fim do carry trade no Japão, dado
efeito do tarifaço de Donald Trump. Todavia, outro fator que também deve funcionar como uma bomba-relógio aos brasileiros interessados na
moeda americana é o próprio ciclo de cortes da
taxa Selic contratado para 2026.