Acionistas da Cielo (CIEL3) rejeitam nova avaliação de ações para OPA
A determinação dos acionistas da Cielo de não exigir o segundo laudo foi divulgada em comunicado oficial pela companhia.
🚨 A Cielo (CIEL3), pioneira e gigante do setor de pagamentos eletrônicos no Brasil, está se preparando para um novo capítulo em sua história.
Após 15 anos de presença marcante na B3 (B3SA3), a empresa anunciou sua retirada do mercado acionário, em uma estratégia desenhada para enfrentar as mudanças drásticas no setor e reposicionar-se em um mercado cada vez mais competitivo.
O movimento, liderado pelos bancos controladores Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), reflete os desafios enfrentados pela empresa e abre um leque de novas possibilidades para o futuro.
Nos últimos anos, a Cielo viu sua participação de mercado encolher de maneira significativa.
No segundo trimestre de 2024, a fatia da empresa no mercado de pagamentos caiu para 19,9%, uma redução notável em comparação com os 22,3% do mesmo período do ano anterior.
Enquanto isso, sua principal concorrente, a Rede, manteve a liderança com 22,8% de participação, mesmo enfrentando pressões competitivas de novos players como Stone, Getnet e PagBank.
Essa perda de participação é sintomática de um mercado que deixou de ser dominado exclusivamente pelo preço e passou a valorizar a oferta integrada de serviços.
A possibilidade de acoplar serviços bancários diretamente às maquininhas de pagamento, uma estratégia que vem sendo explorada com sucesso por empresas como Stone e PagBank, tornou-se um diferencial competitivo.
A Cielo, por sua vez, viu-se em desvantagem, sem conseguir acompanhar o ritmo das mudanças do mercado.
💲 Em uma tentativa de reverter essa trajetória, Bradesco e Banco do Brasil realizaram, no dia 14 de agosto, um leilão de oferta pública de aquisição (OPA) na B3, adquirindo 736,9 milhões de ações da Cielo, num total de R$ 4,3 bilhões.
Com essa operação, os dois bancos alcançaram o quórum necessário para solicitar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a conversão do registro da Cielo, permitindo que a empresa deixe de ser uma companhia de capital aberto.
A decisão de fechar o capital da Cielo é vista pelos bancos controladores como uma oportunidade para a empresa ganhar flexibilidade estratégica, permitindo que ela se adapte mais rapidamente às dinâmicas do mercado de pagamentos, sem a pressão constante dos acionistas e das oscilações do mercado financeiro.
O setor de pagamentos no Brasil passou por uma transformação significativa na última década.
Desde que o Banco Central quebrou o duopólio que existia entre Visanet (hoje Cielo) e Redecard (hoje Rede) em 2010, permitindo que as maquininhas aceitassem múltiplas bandeiras, o mercado testemunhou a entrada de novos concorrentes que revolucionaram o setor.
Empresas como PagSeguro (atual PagBank) e Stone trouxeram inovações que forçaram os players tradicionais a se reinventarem.
Em resposta, a Cielo e a Rede deflagraram a chamada "guerra das maquininhas", uma competição feroz que levou à redução dos preços cobrados dos comerciantes.
No entanto, essa estratégia, que inicialmente parecia promissora, revelou-se insustentável, especialmente após a pandemia de COVID-19, quando o aumento das taxas de juros tornou inviável a manutenção de margens apertadas.
Como resultado, a margem EBITDA da Cielo, que em 2009 era de impressionantes 67,6%, encolheu para 29,3% no segundo trimestre de 2024.
📉 Com a Cielo fora da Bolsa, a expectativa é que a empresa possa se reposicionar de maneira mais agressiva no mercado de pagamentos.
A ideia é que, sem a pressão dos acionistas, a Cielo terá mais liberdade para explorar novas estratégias, como a integração de serviços bancários e financeiros diretamente nas maquininhas, algo que seus concorrentes já fazem com sucesso.
O foco da Cielo deverá se concentrar no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), que se mostra especialmente lucrativo.
Para Bradesco e Banco do Brasil, a maquininha da Cielo é vista como uma ferramenta crucial para capturar e fidelizar esse público, proporcionando uma gestão financeira completa, que inclui desde o processamento de pagamentos até a oferta de crédito e outros serviços bancários.
Com a troca na presidência do Bradesco, que colocou Marcelo Noronha, um especialista no mercado de cartões, no comando, e com Tarciana Medeiros à frente do Banco do Brasil, ambos os bancos estão alinhados em sua visão para a Cielo.
A expectativa é que, fora da Bolsa, a empresa possa recuperar sua competitividade e, quem sabe, retomar parte do terreno perdido para os concorrentes.
Além disso, o mercado aguarda para ver como a Cielo irá se comportar em um ambiente onde a flexibilidade e a inovação são essenciais.
A empresa precisará demonstrar que sua saída da B3 foi uma escolha acertada, capaz de oferecer não apenas uma sobrevida, mas também uma nova fase de crescimento e expansão.
📊 A saída da Cielo da B3 marca o fim de um ciclo e o início de uma nova era para a empresa. Enfrentando desafios substanciais em um mercado cada vez mais competitivo, a companhia precisará reinventar-se para continuar relevante.
A decisão de fechar o capital pode ser o primeiro passo nessa direção, mas o sucesso dessa estratégia dependerá da capacidade da Cielo de se adaptar rapidamente às mudanças do mercado e de oferecer soluções inovadoras que atendam às necessidades de seus clientes, especialmente as pequenas e médias empresas.
Neste novo cenário, a Cielo terá que provar que pode não apenas sobreviver, mas também prosperar, mesmo fora dos holofotes da Bolsa.
Com uma base sólida e o apoio de seus controladores, a empresa tem as ferramentas necessárias para trilhar esse caminho – agora, resta ver como ela irá utilizá-las.
A determinação dos acionistas da Cielo de não exigir o segundo laudo foi divulgada em comunicado oficial pela companhia.
Assembleia que discute fechamento de capital foi suspensa por 21 dias