Briga pela Oncoclínicas (ONCO3) esquenta, com contraproposta de fundo americano

Mak Capital propôs aporte de R$ 500 milhões, mas quer trocar Conselho de Administração.

Author
Publicado em 25/03/2026 às 07:21h Publicado em 25/03/2026 às 07:21h por Marina Barbosa
Oncoclínicas também está na mira de Porto e Fleury (Imagem: Divulgação)
Oncoclínicas também está na mira de Porto e Fleury (Imagem: Divulgação)
A disputa pelos ativos da Oncoclínicas (ONCO3) esquentou nessa terça-feira (24), com a entrada do fundo americano Mak Capital na jogada.
🏥 Com uma dívida superior a R$ 4 bilhões, pendências junto ao Banco Master e uma administração recém-empossada, a Oncoclínicas busca uma forma de renegociar suas dívidas e melhorar seus resultados. 
Uma possível saída para essa crise surgiu no início do mês, quando a Porto (PSSA3) fez uma proposta de até R$ 1 bilhão pelas clínicas voltadas ao tratamento de câncer da empresa.
A ideia é reunir esses ativos em uma nova empresa e, nesta semana, atraiu outro potencial investidor: a Fleury (FLRY3). Porém, não agradou todos os acionistas da Oncoclínicas, que precisam dar aval para o negócio caso a transação seja aprovada pela empresa.

A contraproposta do Mak Capital

Dono de uma fatia de 6,31% da Oncoclínicas, o Mak Capital disse nessa terça-feira (24) que está disposto a investir a R$ 500 milhões no negócio. A proposta poderia evitar a venda das clínicas oncológicas, mas traz outras condições para a empresa. 
🔎 Entre as exigências, está a discussão sobre a situação econômico-financeira da companhia, incluindo medidas para renegociação das dívidas e proteção da operação, e uma nova reformulação administrativa.
A ideia do fundo americano é destituir o atual Conselho de Administração da Oncoclínicas, que foi eleito há menos de três meses com o apoio de outro acionista relevante da empresa, a gestora Latache.
O Mak Capital pretende, então, eleger um novo Conselho de Administração e indicar o presidente e o vice-presidente do board.
Em carta obtida pelo "Valor Econômico", o Mak Capital alega que o atual conselho não adotou as medidas necessárias para resolver a situação financeira da companhia. Além disso, questiona o valor oferecido pela Porto pelas clínicas oncológicas.
O fundo diz que não é contra o negócio ou qualquer transação estratégica, mas desde que a operação seja realizada por meio de uma "avaliação adequada dos negócios da companhia e por meio de estrutura que atenda aos melhores interesses de todos os acionistas". 
"No entanto, com base nas informações disponíveis, a transação proposta ser uma resposta totalmente inadequada para as circunstâncias da companhia, em especial sua urgente necessidade de liquidez e crescente pressão financeira", afirma.

O que diz a Oncoclínicas?

Em comunicado ao mercado, a Oncoclínicas lembrou que concedeu um prazo de exclusividade para as negociações com a Porto, que agora também incluem a Fleury. O prazo é de 30 dias e começou a contar no dia 15 de março.
À época, a empresa destacou que o acordo tinha um caráter preliminar e não vinculante. Logo, não havia o compromisso ou obrigação de concluir a operação.
Em entrevista à "Bloomberg Línea", o atual CEO da Oncoclínicas, Carlos Gil Ferreira, disse que o "plano A" da empresa é a sua reestruturação operacional e que a mudança na estrutura de capital estaria sendo "tocada em paralelo".