Alívio para a Vale (VALE3)? Rio Tinto desiste de fusão com a Glencore

A fusão criaria a maior mineradora do mundo, mas travou por divergências sobre o valuation.

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Publicado em 05/02/2026 às 17:39h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 05/02/2026 às 17:39h Atualizado 3 minutos atrás por Marina Barbosa
Fusão poderia pressionar a Vale em cobre e, talvez, minério de ferro (Imagem: Shutterstock)
Fusão poderia pressionar a Vale em cobre e, talvez, minério de ferro (Imagem: Shutterstock)
A Rio Tinto (RIOT34) desistiu sa fusão com a Glencore -negócio que criaria a maior mineradora do mundo e, por isso, ameaçava o império da Vale (VALE3).
⚒️ As companhias negociavam a fusão há cerca de um mês, mas não conseguiram chegar a um acordo sobre o valor da transação. Por isso, a Rio Tinto decidiu encerrar as conversas.
Em um comunicado publicado nesta quinta-feira (5), a mineradora australiana afirmou que não obteve um acordo que gerasse valor para os seus acionistas. Por isso, "não está mais considerando uma possível fusão ou outra combinação de negócios com a Glencore".
A Glencore rebateu, dizendo que os termos propostos nas negociações também não atendiam aos melhores interesses dos seus investidores, pois não refletiam a visão da empresa sobre o valor de longo prazo do seu negócio, sobretudo no que diz respeito ao segmento de cobre e sua crescente carteira de projetos.
🗣️ "Os principais termos da potencial oferta eram a manutenção, pela Rio Tinto, dos cargos de Presidente do Conselho e Diretor Executivo, além da transferência de uma participação acionária pro forma na empresa combinada que, em nossa opinião, subestimava significativamente a contribuição relativa da Glencore para o grupo combinado", revelou.
Em um comunicado, a Glencore ressaltou ainda a solidez do seu negócio, dizendo que atua com uma ampla gama de commodities e, por isso, está pronta para atender as atuais demandas energéticas, mas também para colaborar com o processo de transição energética.
A companhia suíça pretende ser uma das maiores produtoras mundiais de cobre -um mineral crucial para a produção de equipamentos de energia solar e eólica e para o funcionamento de data centers e que, por isso, também está na mira da Vale.

Mais uma tentativa frustrada

Ao confirmar o fim das negociações, a Glencore ressaltou que, de acordo com a legislação britânica, a Rio Tinto não poderá voltar a lhe dentro de um prazo de seis meses, a não ser em condições excepcionais.
Vale lembrar, no entanto, que esta não é a primeira vez que as mineradoras discutiram uma eventual fusão.
A possibilidade foi lançada pela primeira vez em 2008, pouco antes da crise financeira abalar os mercados. Em 2014, voltou rapidamente à tona. Dez anos depois, foi retomada novamente, até esbarrar em divergências sobre o valuation do negócio.

Impacto para a Vale

🔎 Para analistas, a fusão entre Rio Tinto e Glencore criaria uma concorrente importante para a Vale no mercado de cobre, essencial para a transição energética.
Já no segmento de minério de ferro, o impacto seria mais limitado, já que a companhia brasileira ultrapassou a australiana e voltou a ser a maior produtora mundial da commodity em 2025.
De toda forma, a escala combinada da Rio Tinto e da Glencore poderia permitir custos operacionais mais baixos, pressionando a competitividade da Vale.
Não à toa, as ações da Vale recuaram quando as conversas sobre a fusão vieram à tona, em janeiro. Já nesta quinta-feira (5), os papeis caem mesmo diante do fim das negociações, pressionados pela desvalorização do minério de ferro.
As ações de Rio Tinto e Glencore também cedem nesta quinta-feira (5), diante da notícia de que as empresas desistiram mais uma vez do negício que criaria a maior mineradora do mundo.