Maior fornecedora do país, a Petrobras elevou os preços do querosene de aviação em 54,8% na manhã desta quarta-feira (1º), devido à alta dos preços internacionais do
petróleo.
O aumento era esperado, já que a estatal reajusta o combustível todo começo de mês e o petróleo disparou diante da guerra no Oriente Médio. Ainda assim, gerou queixas das companhias aéreas.
Aéreas reclamam
A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) publicou uma nota dizendo que "a medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo".
Controladora da Gol e da Avianca, a Abra já havia indicado que o reajuste poderia levar a preços maiores das passagens aéreas. A
Azul (AZUL53) já até reajustou as tarifas, em cerca de 20%, devido aos efeitos da guerra na cotação do petróleo.
A Abear explicou que o preço do querosene de aviação já havia subido 9,4% em março. E disse que, com a alta acumulada nos últimos dois meses, o combustível passou a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, ao invés dos 30% de costume.
A associação pediu, então, "a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações".
Petrobras atende
Diante da repercussão do reajuste, a Petrobras decidiu parcelar o aumento para as distribuidoras que atendem a aviação comercial e já estão na sua base de clientes.
Segundo a estatal, a medida permitirá que as distribuidoras paguem um aumento de apenas 18% em abril e quitem a diferença em até seis parcelas, com vencimento a partir de julho.
"A Petrobras disponibilizará ao mercado, até segunda-feira (06/04), um termo de adesão para reduzir os efeitos do reajuste do preço do QAV, com validade a partir de hoje (01/04)", informou.
A estatal afirmou ainda que o parcelamento também estará disponível em maio e junho, mas com parâmetros ainda a serem calculados.
Na avaliação da Petrobras, esta é uma forma de contribuir com a saúde financeira dos seus clientes, ao mesmo tempo em que preserva a sua neutralidade financeira no atual cenário de alta do petróleo.
"Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado", afirmou a estatal, que se disse "comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, sem repassar volatilidade de curto prazo aos preços nacionais".
Governo também promete socorro
O governo federal também prometeu anunciar medidas de socorro às companhias aéreas, como incentivos tributários, linhas de financiamento e prorrogação de tarifas.
Afinal, tem tentado amenizar o impacto da guerra no bolso do consumidor brasileiro, para evitar a alta da inflação e tentar garantir novos cortes de juros.
Para isso, o governo já anunciou uma
subvenção ao diesel e tenta que os Estados sigam o mesmo caminho, reforçou a fiscalização dos postos de combustíveis para evitar preços abusivos e estuda oferecer um crédito às distribuidoras de energia, por exemplo.