A conta trilionária da IA: OpenAI acelera gastos, mas Anthropic cresce mais rápido

Empresas disputam liderança do mercado de IA generativa, com modelos de negócio distintos.

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Publicado em 27/02/2026 às 10:27h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 27/02/2026 às 10:27h Atualizado 2 minutos atrás por Marina Barbosa
Open AI e Anthropic criaram os chatbots ChatGPT e Claude, respectivamente (Imagem: Ilustração criada com inteligência artificial)
Open AI e Anthropic criaram os chatbots ChatGPT e Claude, respectivamente (Imagem: Ilustração criada com inteligência artificial)

Apesar da cautela crescente dos investidores com a IA (Inteligência Artificial), empresas de todo o mundo seguem investindo pesado para tentar assumir a dianteira desse mercado.

A disputa é pesada e nem o reinado da OpenAI está garantido, como ficou claro nos últimos dias com a escalada das provocações e das receitas da Anthropic.

A OpenAI saiu na frente quando se fala em IA generativa - a inteligência artificial que busca aprender com os dados para criar novos conteúdos, como conversas, histórias, imagens e vídeos.

Afinal, é a dona do ChatGPT - o chatbot que já é usado por mais de 910 milhões de pessoas toda semana, para os mais variados fins. 

A expansão meteórica do ChatGPT, contudo, despertou a atenção de outras empresas, fazendo com que grandes nomes do mercado de tecnologia intensificassem os esforços de desenvolvimento dos seus próprios modelos de linguagem.

O Google (GOGL34), por exemplo, lançou o Gemini poucos meses depois de a OpenAi liberar o acesso do público ao ChatGPT. 

Na sequência, a Meta (M1TA34) apresentou o LLaMA e o X criou o Grok. Já a Microsoft (MSFT34) introduziu o Copilot com base na tecnologia da OpenAI.

Mais recentemente, a China também entrou nessa disputa. O maior exemplo é o DeepSeek, que sacudiu os mercados ao apresentar-se como uma alternativa mais barata de inteligência artificial e ganhar milhões de usuários em poucos dias. 

Passado pouco mais de um ano do "efeito DeepSeek", agora é a vez da Anthropic colocar em xeque o reinado da OpenAI e o modelo de financiamento da dona do ChatGPT, com o chatbot Claude.

OpenAI ex Anthropic

A Anthropic foi criada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI que decidiram deixar a empresa por divergências em questões de segurança, sobretudo no que diz respeito ao ritmo de evolução da IA.

Ciente de que a inteligência artificial pode mudar o mundo, a Anthropic tem como objetivo construir sistemas nos quais as pessoas possam confiar e gerar pesquisas sobre as oportunidades, mas também sobre os riscos dessa tecnologia.

Porém, a rixa entre OpenAI e Anthropic não parou por aí e esquentou nos últimos dias devido ao modelo de financiamento dessa tecnologia. Tanto que os CEOs das empresas -Sam Altman e Dario Amodei, respectivamente- se recusaram a dar as mãos em um evento que reuniu os principais nomes do mercado de IA na Índia recentemente.

Veja o momento, transmitido pela televisão indiana:

OpenAI em busca de receitas

Apesar do grande número de usuários do ChatGPT, a OpenAI ainda não gera lucros e, por isso, segue em busca de uma forma de se capitalizar. 

Para ampliar suas receitas, a OpenAI tem planos de assinatura do ChatGPT, cobra os desenvolvedores que usam seus modelos de programação e vende soluções de IA para empresas, inclusive por meio de parceria com consultorias.

Mais recentemente, também anunciou novidades que podem mexer com a forma de interação com o ChatGPT.

A empresa implementou uma ferramenta que permite comparar preços e fazer compras diretamente pelo chat. 

O negócio foi lançado inicialmente em parceria com os marketplaces Etsy e Shopify e logo depois rendeu mais uma parceria com o Walmart (WALM34), que também já faz vendas no Gemini do Google.

Além disso, anunciou que anúncios publicitários estão chegando ao ChatGPT - algo que o CEO da OpenAI, Sam Altman, já havia tratado como uma medida de "último recurso".

Os anúncios do ChatGPT 

Os anúncios serão testados inicialmente nos Estados Unidos, entre os usuários dos planos Gratuito e Go (o mais barato). Mas podem chegar por aqui em breve.

A OpenAI explicou que manter esses planos "rápidos e confiáveis exige infraestrutura significativa e investimento contínuo" e disse que "os anúncios ajudam a financiar esse trabalho".

Além disso, avisou: "Se preferir não ver anúncios, você pode atualizar para nossos planos Plus ou Pro, ou optar por não ver anúncios no plano gratuito em troca de menos mensagens gratuitas diárias".

A companhia garantiu que os anunciantes não terão acesso às conversas dos usuários e disse que a publicidade não vai interferir nas respostas do ChatGPT.

A ideia é combinar as propagandas com as interações dos usuários. Por exemplo, um usuário que pede ajuda do ChatGPT para planejar uma viagem pode receber o anúncio de um hotel, já quem pesquisou uma receita pode ver anúncios de supermercados.

A OpenAI chegou até a publicar um guia com os seus "princípios para anúncios" para tentar aplacar qualquer preocupação. Porém, não escapou das críticas.

As críticas da Anthropic

A maior crítica aos anúncios do ChatGPT veio de uma maneira bem inesperada: por meio de anúncios da Anthropic.

Os vídeos circulam na internet e foram exibidos até no Super Bowl, o evento televisivo mais popular dos Estados Unidos. E sugerem que os anúncios podem criar situações desconfortáveis para os usuários de chatbots.

Para se ter ideia, uma das artes mostra um homem pedindo ajuda para se conectar melhor com sua mãe para uma mulher criada por inteligência artificial que parece uma terapeuta, mas que, depois de alguns conselhos, também sugere o uso de um aplicativo de encontros com mulheres mais velhas, gerando confusão no "paciente". Veja:

Todos os vídeos da campanha terminam com uma mensagem clara: "Os anúncios estão chegando à IA, mas não ao Claude".

"Incluir anúncios em conversas com Claude seria incompatível com o que queremos que Claude seja: um assistente verdadeiramente útil para o trabalho e para a reflexão profunda", acrescentou a Anthropic, em um texto publicado no seu site.

Sam Altman rebate

CEO da OpenAI, Sam Altman reagiu à investida da concorrente com um longo texto no X, em que chama a estratégia da Anthropic de "desonesta" e "enganosa".

"Obviamente, jamais veicularíamos anúncios da maneira como a Anthropic os descreve. Não somos ingênuos e sabemos que nossos usuários rejeitariam isso", afirmou.

Altman ainda aproveitou para fazer críticas ao modelo de negócios da Anthropic, dizendo que a rival "oferece um produto caro para pessoas ricas" e que o objetivo da OpenAI é diferente.

"Acreditamos que todos merecem usar IA e estamos comprometidos com o acesso gratuito, porque acreditamos que o acesso gera autonomia", pontuou.

Veja o post do CEO da OpenAI:

 

O modelo de negócio da Anthropic

Embora também permita acessos gratuitos ao seu chatbot, o Claude; a Anthropic foca no segmento empresarial, fornecendo soluções pagas de IA para empresas, e vem ganhando cada vez mais espaço neste mercado.

A empresa tem mais de 300 mil clientes corporativos e viu o número de clientes que investem mais de US$ 100 mil por ano no Claude crescer sete vezes em 2025. Além disso, já conta com mais de 500 clientes investindo mais de US$ 1 milhão por ano na ferramenta.

Anthropic pode passar OpenAI em 2026

Os números sobre o market share do mercado corporativo de IA ainda são divergentes. Já os dados oficiais dessas empresas mostram que a Anthropic vem conseguindo gerar receitas de forma mais acelerada que a OpenAi. 

Nos últimos três anos, a receita da dona do Claude cresceu mais de 10 vezes ao ano. Já a receita da criadora do ChatGPT cresceu 3 vezes ao ano.

Por isso, algumas projeções indicam que a Anthropic pode superar o faturamento da OpenAI já em meados deste ano de 2026.

Além disso, as perspectivas das próprias companhias indicam que a Anthropic deve começar a gerar lucro dois anos antes da OpenAI.

Na ponta do lápis

A dona do ChatGPT viu sua receita saltar de US$ 6 bilhões em 2024 para US$ 20 bilhões em 2025 e projeta um faturamento superior a US$ 280 bilhões para 2030. 

Porém, vem investindo muito mais para garantir o desenvolvimento das próximas gerações de IA e, assim, tentar manter a liderança nesse mercado.

Segundo as projeções mais recentes, a OpenAI deve investir US$ 600 bilhões em computação até 2030. Por isso, não deve gerar nenhum lucro nesse período. 

A companhia espera chegar no "breakeven" -o ponto de equilíbrio em que as receitas igualam despesas- apenas em 2030. Já a Anthropic espera chegar a este ponto em 2028.

A dona do Claude também prevê grandes investimentos em infraestrutura, mas a um ritmo mais controlado que a OpenAI. No final de 2025, por exemplo, disse que aplicaria US$ 50 bilhões para construir data centers nos Estados Unidos neste ano. 

Além disso, espera continuar ampliando seu faturamento de forma acelerada. A Anthropic teve uma receita de US$ 14 bilhões em 2025, mas espera elevar essa cifra para US$ 18 bilhões em 2026 e para US$ 55 bilhões já em 2027.

Veja as projeções de receita para as empresas:

A conta da IA

As perspectivas OpenAI e Anthropic mostram que o mercado de IA generativa segue em rápida expansão, mas ainda precisará de alguns anos para gerar lucro.

Não à toa, o mercado financeiro tem mostrado preocupação com os investimentos bilionários que as big techs têm feito na tecnologia.

Afinal, são essas as principais ações ligadas à IA disponíveis na bolsa no momento, já OpenAI e Anthropic ainda não fizeram o seu IPO (oferta pública inicial de ações).

A cautela voltou à tona na temporada de resultados do quarto trimestre de 2025, já que os balanços mostraram crescimento dos lucros e das receitas do setor, mas também uma nova rodada de investimentos em IA. 

Veja quando as big techs pretendem investir em IA em 2026:

Ou seja, a conta das big techs com IA pode ultrapassar os US$ 600 bilhões neste ano e o tamanho desso cheque assustou o mercado, reacendendo o temor de uma bolha de IA.

Nem o resultado acima das estimativas da Nvidia (NVDC34) foi suficiente para aplacar a cautela.

A Nvidia é a maior fabricante de chips de IA do mundo. Ou seja, fornece parte da infraestrutura necessária para as big techs desenvolverem seus modelos de IA generativa e, por isso, captura parte relevante dos lucros do setor.

No quarto trimestre de 2025, a companhia apresentou uma receita recorde e entregou um lucro por ação 82% maior. Em 2026, a expectativa é continuar em crescimento, mas também seguir investimento forte nesse ecossistema.

Diante disso, o que o mercado quer saber é se todos esses investimentos vão gerar retorno para as empresas e os seus acionistas e quando esses ganhos vão cair na conta.

O resultado tem sido um início de ano turbulento para as ações de tecnologia, na medida em que os investidores acompanham as brigas e os planos do setor e vão tentando calibrar as suas expectativas e portfólios.

Compare o movimento das ações nos últimos anos: