7 segredos dos grandes investidores que você deve conhecer
Publicado em 24/12/2020
Se uma das empresas da sua carteira decidir sair da Bolsa, o primeiro passo é manter a calma. Isso pode acontecer com qualquer companhia de capital aberto, e o processo é regulado pela Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA), uma ferramenta que visa proteger os acionistas, especialmente os minoritários.
A OPA é, na prática, o oposto de um IPO. Em vez de emitir novas ações para captar recursos, a empresa (ou seu controlador) busca recomprar os papéis em circulação e reduzir ou eliminar a base de acionistas, geralmente para fechar o capital.
O processo de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações segue um cronograma definido pelas normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), atualmente disciplinadas pela Resolução CVM 215, que substituiu a antiga Resolução CVM 85 e passou a valer a partir de outubro de 2025.
Essa atualização foi a primeira grande reforma das regras de OPA em mais de 20 anos, desde a Instrução CVM 361, de 2002, e trouxe mudanças relevantes no quórum de aprovação, nos prazos e na possibilidade de dispensar laudo de avaliação e leilão em certos casos.
O mecanismo continua tendo o mesmo objetivo: garantir que os acionistas sejam tratados de forma justa e equitativa. Mas o cenário em que ele é aplicado mudou bastante. Sem praticamente nenhum IPO na B3 desde 2022, e com juros altos pressionando o valuation das empresas listadas, o número de OPAs para fechamento de capital cresceu de forma expressiva nos últimos anos, com operações em setores tão diversos quanto portos, navegação, varejo, energia, tecnologia e entretenimento.
Depois da publicação do fato relevante, o ofertante solicita o registro da OPA junto à CVM, com todos os detalhes da oferta, como a quantidade de ações que pretende adquirir, o valor estimado e o cronograma previsto para a operação.
Com a Resolução CVM 215, esse registro passou a seguir dois ritos possíveis: o ordinário, que exige análise prévia da CVM e se aplica às OPAs obrigatórias por lei (como cancelamento de registro, aumento de participação e alienação de controle), e o automático, mais rápido e dispensado dessa análise prévia, voltado a OPAs facultativas que não envolvam permuta por valores mobiliários.
Uma etapa central é a avaliação independente das ações. A legislação normalmente exige que o ofertante contrate uma consultoria especializada para uma análise aprofundada do valor justo dos papéis, considerando metodologias como:
A precificação é um dos momentos mais sensíveis do processo, e é aqui que vale desfazer um mito comum: não existe uma regra de "90% de aprovação" para toda OPA. O quórum necessário varia de acordo com a finalidade da oferta:
Se o quórum necessário não for atingido, a operação pode falhar total ou parcialmente. Em alguns casos, o ofertante consegue concluir a saída do Novo Mercado mesmo sem reunir o quórum para o cancelamento de registro, ou vice-versa, dependendo de como a oferta foi estruturada.
Uma vez definido o preço, ocorre o leilão da OPA, normalmente realizado em ambiente de mercado organizado dentro de 30 a 45 dias após a divulgação do edital da oferta. A Resolução CVM 215 também passou a permitir a dispensa automática do leilão em ofertas destinadas a poucos acionistas, o que tende a agilizar operações de menor porte.
No leilão, os acionistas que decidiram aceitar a oferta vendem suas ações pelo preço acordado. Casos recentes ilustram bem como o mecanismo tem funcionado na prática:
O leilão marca o encerramento formal do processo: o ofertante finaliza a recompra das ações, os acionistas que venderam recebem o valor acordado, e quem manteve suas ações passa a ser acionista de uma empresa de capital fechado, o que costuma trazer forte redução de liquidez.
As OPAs têm um impacto significativo no mercado financeiro brasileiro, e esse impacto ficou ainda mais evidente recentemente. Impulsionado pela combinação de juros elevados, valuations comprimidos e praticamente nenhum IPO na B3 desde 2022, o fechamento de capital deixou de ser uma resposta pontual a condições adversas e passou a ser uma decisão estratégica recorrente entre controladores e grupos estrangeiros que enxergam ativos brasileiros com desconto.
Casos como Santos Brasil, Wilson Sons, Zamp (dona das operações de Burger King e Subway no Brasil), Neogrid, Eletromídia e Neoenergia mostram que o movimento atravessa setores bem diferentes entre si, de portos e navegação a varejo, tecnologia, mídia e energia.
Quando uma empresa fecha capital, a liquidez do mercado tende a diminuir, já que menos companhias ficam disponíveis para negociação na Bolsa. A saída de empresas de peso em setores relevantes também pode influenciar o desempenho de índices como o Ibovespa, que busca refletir o comportamento das principais companhias listadas.
Depois de uma OPA, muitos investidores optam por realocar o capital que estava naquela posição, buscando outras empresas com potencial de crescimento ou negociando a preços mais atrativos. Ou seja, para quem investe, uma OPA pode representar tanto uma oportunidade de realizar lucro quanto um momento de reflexão sobre a estratégia da carteira.
💡Saiba mais: Como declarar seus investimentos no Imposto de Renda com o Investidor10
Mesmo com uma OPA em curso, você não é obrigado a vender suas ações. Ao recusar a oferta, no entanto, você pode se tornar acionista de uma empresa de capital fechado, caso a operação seja concluída.
Nesse cenário, a liquidez das ações costuma cair bastante, e a transparência da empresa tende a diminuir, já que ela deixa de ser obrigada a divulgar resultados periódicos e a seguir as regras de governança exigidas de companhias abertas.
Se o percentual de ações remanescentes em circulação cair abaixo de 5% do capital, a empresa ainda pode aprovar em assembleia o resgate compulsório dessas ações, encerrando a posição de quem ficou de fora.
A decisão de aceitar ou não a OPA depende do seu perfil de investidor:
Uma OPA não é apenas uma forma de sair de uma empresa: também pode ser uma chance estratégica para reorganizar o portfólio.
Como o preço oferecido costuma trazer um prêmio sobre a cotação de mercado, a operação às vezes representa uma boa oportunidade para capturar um ganho que não estava no radar. É também um bom momento para reavaliar a carteira como um todo e, em vez de manter uma posição em uma empresa que está fechando capital, rotacionar os ativos para companhias com maior potencial de valorização e melhor liquidez.
Uma OPA pode representar o encerramento de um ciclo para determinada empresa na Bolsa, mas também abre espaço para que o investidor reavalie sua estratégia e tome decisões mais alinhadas aos seus objetivos.
Em momentos como esse, ter acesso a informações organizadas e ferramentas de acompanhamento faz diferença para analisar os impactos da operação, comparar alternativas e identificar novas oportunidades para realocação de capital.
No Investidor10, investidores contam com recursos que ajudam nesse processo, como o Gerenciador de Carteira, que centraliza a evolução patrimonial e a composição dos investimentos, os Rankings e Comparadores, que permitem avaliar outras empresas do mesmo setor, além das ferramentas de acompanhamento de dividendos e indicadores fundamentalistas.
Dessa forma, é possível acompanhar eventos corporativos relevantes, como uma OPA, com mais clareza e embasamento para tomar decisões sobre o futuro da carteira.