O ponto central das preocupações é o
Estreito de Ormuz, rota por onde transitam cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, algo entre 20 e 22 milhões de barris por dia, além de parcela relevante do fluxo global de gás natural.
Embora a passagem permaneça formalmente aberta, embarcações têm evitado a região por questões de segurança, após alertas emitidos por governos e companhias.
Esse movimento tende a elevar custos de frete e de seguros, pressionando as cotações internacionais. Segundo o BTG, ainda não há indícios de interrupção relevante na produção.
O Irã responde por aproximadamente 3% da oferta mundial, com produção estimada em 3,3 milhões de barris diários e exportações próximas de 2 milhões de barris por dia.
Paralelamente, a
Opep+ avalia aumentar a produção acima do previsto na próxima reunião. O mercado esperava um acréscimo de 136 mil barris por dia, mas fontes indicam que o volume pode chegar a 411 mil ou até 548 mil barris diários, segundo informações divulgadas pela Reuters. A medida funcionaria como amortecedor para eventuais turbulências na oferta.
O banco ressalta que a duração do conflito será determinante para o comportamento dos preços. Até o momento, não há sinais de danos estruturais à infraestrutura petrolífera global. Mesmo em caso de desescalada, o fluxo no Estreito de Ormuz pode levar dias para se normalizar devido ao represamento de navios.
Ação recomendada
Diante desse cenário, o BTG mantém recomendação de compra para a
PRIO (PRIO3), com preço-alvo de R$ 56. A companhia é considerada a principal escolha do banco no setor, já que tende a acompanhar a valorização do Brent.
Os analistas destacam ainda a expectativa de resultados sólidos no quarto trimestre e o início da produção no campo de Wahoo como fatores adicionais que reforçam a tese de investimento, especialmente em um ambiente de preços mais elevados da commodity.
Outras empresas do setor também podem se beneficiar, mas com intensidade distinta. A
Petrobras (PETR4) deve ter impacto positivo mais limitado, já que parte relevante de sua produção abastece refinarias próprias, reduzindo o efeito imediato da alta do petróleo nos resultados.
A
PetroReconcavo (RECV3) possui cerca de metade da produção atrelada ao gás natural, enquanto a
Brava Energia (BRAV3) pode utilizar a valorização do petróleo para acelerar seu processo de desalavancagem. Para esta última, o BTG mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 12.
📈 Na avaliação do banco, enquanto o risco geopolítico permanecer elevado, o prêmio embutido no Brent continuará no radar dos investidores.