🚨 A Shell estaria disposta a ampliar significativamente seu apoio financeiro à
Raízen (RAIZ4) para evitar que a companhia entre em
recuperação judicial, segundo fontes com conhecimento das negociações.
A multinacional, que divide o controle da joint venture com a
Cosan (CSAN3), avalia aumentar o valor inicialmente considerado para recapitalizar a empresa.
Até a semana passada, a Shell sinalizava um aporte de R$ 2,5 bilhões. Agora, segundo duas fontes, o montante poderia chegar a R$ 3,5 bilhões, condicionado a determinadas exigências.
Uma terceira pessoa próxima às tratativas afirma que o valor pode ser ainda maior e que a empresa estaria disposta a contribuir com uma parcela desproporcional na capitalização, embora nada esteja fechado.
A Raízen atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. No terceiro trimestre, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões e alertou para “incerteza relevante” quanto à sua capacidade de continuar operando.
A dívida líquida disparou para R$ 55,3 bilhões ao fim de dezembro, pressionada por grandes investimentos, clima adverso, incêndios em canaviais e menor volume de moagem.
Estrutura acionária e esforço conjunto
Atualmente, Shell e Cosan detêm 44% cada da Raízen, enquanto os 12% restantes estão em free float. A Cosan, que também enfrenta desafios financeiros e passa por reestruturação, poderia aportar cerca de R$ 1 bilhão.
Já Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen e principal acionista da Cosan, poderia contribuir com até R$ 1 bilhão adicionais, dependendo da conclusão de negociações de financiamento em andamento.
Fontes do mercado indicam que, para reequilibrar sua estrutura de capital, a Raízen precisaria de aproximadamente R$ 25 bilhões, considerando capital novo e a venda de ativos, incluindo a unidade argentina, cuja alienação pode render cerca de US$ 1 bilhão.
Pressão das agências e assessores contratados
No início do mês, a companhia contratou os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, além da Rothschild & Co como assessora financeira, para avaliar alternativas estratégicas e financeiras.
A movimentação foi seguida por rebaixamentos de rating por parte de S&P Global, Fitch e Moody’s.
A Moody’s destacou a elevada alavancagem, a geração de caixa negativa, o peso dos encargos financeiros e resultados abaixo do esperado no principal segmento de açúcar e etanol como fatores de risco.
Shell, Cosan e Rubens Ometto não comentaram oficialmente o assunto.
📊 Enquanto as negociações seguem, o mercado observa se o aporte bilionário será suficiente para estabilizar a gigante do açúcar e etanol ou se novas medidas estruturais serão necessárias para evitar um processo formal de recuperação judicial.