Selic vai cair mais? Veja o que diz a ata do Copom

Copom cortou a Selic para 14,75% na última quarta-feira (18) mas ressaltou as incertezas da guerra ao olhar para a frente.

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Publicado em 24/03/2026 às 10:44h Publicado em 24/03/2026 às 10:44h por Marina Barbosa
BC divulgou a ata da última reunião do Copom nesta 3ª (Imagem: Shutterstock)
BC divulgou a ata da última reunião do Copom nesta 3ª (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) renovou o tom de cautela diante das incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio, deixando em aberto o rumo da taxa Selic.
🏦 A decisão de aguardar informações mais consistentes sobre a extensão da guerra e os seus efeitos nos preços foi reforçada nesta terça-feira (24), com a divulgação da ata da última reunião do Copom.
"O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", afirma o documento.
Segundo a ata, "essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras".

O impacto da guerra na inflação

A ata do Copom lembra que a inflação e as expectativas de inflação vinham em queda antes do conflito, o que permitiu a redução dos juros na semana passada.
📈 Porém, observa que as expectativas de inflação voltaram a subir após o início dos ataques, permanecendo acima da meta de 3%.
Com a guerra pressionando a cotação do petróleo, os combustíveis ficaram mais caros em todo o mundo. E, por aqui, há um temor de que o reajuste eleve os preços do frete e, consequentemente, encareça produtos como os alimentos.
Diante disso, o mercado elevou a projeção para a inflação deste ano de 3,91% para 4,17% no último mês, segundo o Boletim Focus.
O Copom voltou a dizer, então, que "em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado". Ou seja, juros maiores e por mais tempo.

Corte de juros

A ata do Copom diz ainda que a taxa de juros continua em um nível restritivo, de modo a assegurar a convergência da inflação à meta, mesmo depois do corte da semana passada.
O Copom optou por dar início ao ciclo de redução da Selic na última quarta-feira (18), mesmo diante da guerra, devido ao peso dos juros altos na atividade econômica e na inflação.
Porém, entendeu que a redução de 0,25 ponto percentual era a "mais adequada" e disse que os "passos futuros o processo de calibração da taxa básica de juros" dependerão do rumo da guerra.
Antes do conflito, a expectativa era de que o Copom fizesse um corte de 0,50 ponto percentual nos juros. Tanto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse estar "triste" com a decisão do comitê.

O que esperar agora?

Na avaliação do mercado, o ciclo de corte de juros vai continuar, apesar do tom cauteloso adotado pelo Copom.
"O Copom parece confiante de que o ciclo de 'calibração' continuará adiante, com a 'magnitude e duração' dependendo da evolução do cenário, em particular do conflito no Oriente Médio", diz a XP.
A XP acredita que o Copom fará quatro cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual nos próximos meses, levando a Selic a 12,75%. Porém, admite que o ajuste pode ser mais tímido, caso haja uma nova deterioração do cenário inflacionário.
"O monitoramento dos preços do petróleo, da taxa de câmbio e, particularmente, das expectativas de inflação será fundamental nas próximas semanas", observou.