🚨 O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (19), em evento em São Paulo, a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda e a nomeação de Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta, para o comando da equipe econômica.
Haddad deixou o cargo após mais de três anos à frente da pasta para oficializar sua candidatura ao governo de São Paulo, em cerimônia no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.
A candidatura de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes tem como objetivo estratégico garantir um palanque sólido para Lula no estado mais populoso do país, onde o presidente busca a reeleição.
Será a segunda tentativa de Haddad ao governo paulista, após ter sido derrotado em 2022 por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorrerá à reeleição.
Durigan assume com orçamento apertado e cenário complexo
Advogado de formação, Durigan construiu carreira na Advocacia-Geral da União, na Casa Civil e na Prefeitura de São Paulo.
Ingressou na Fazenda em 2023, assumindo a secretaria-executiva no lugar de Gabriel Galípolo, que deixava a pasta para o Banco Central.
O novo ministro herda um Orçamento pressionado por despesas obrigatórias crescentes e precisará conduzir a agenda econômica em um Congresso marcado pelo escândalo envolvendo o Banco Master e pelo calendário eleitoral, que historicamente reduz o apetite do Legislativo por reformas impopulares.
O contexto externo também complica a missão. O conflito no Oriente Médio pressiona os preços do petróleo, ameaça a
inflação e amplia a cautela do Banco Central em relação ao ritmo de cortes da
Selic.
Pautas que ficam para o sucessor
Entre os temas que Haddad deixa em aberto estão a limitação de supersalários no funcionalismo público, a reforma da previdência dos militares, a regulamentação econômica das chamadas big techs e normas microeconômicas diversas.
A Fazenda também deverá encaminhar ao Congresso proposta de regulamentação do Imposto Seletivo, tributo criado na reforma tributária para incidir sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
O legado de Haddad à frente da economia
Nos três anos de gestão, Haddad substituiu o teto de gastos pelo arcabouço fiscal, um modelo baseado em metas de resultado primário que admite crescimento real das despesas desde que inferior ao ritmo das receitas.
O novo marco foi alvo de críticas do mercado financeiro, que questionou sua dependência de medidas de arrecadação para se sustentar.
Na frente tributária, o ministro promoveu o fim de desonerações da folha salarial de setores produtivos e de benefícios criados durante a pandemia, além de aprovar corte linear de incentivos tributários não constitucionais.
Sob seu comando, foram criados ou elevados tributos sobre combustíveis, apostas esportivas, compras internacionais, fundos exclusivos, offshore, veículos elétricos, fintechs e
JCP (Juros sobre Capital Próprio), entre outros.
Haddad também conduziu a aprovação da reforma tributária sobre o consumo, encerrada após décadas de debate, e da reforma do
IR (Imposto de Renda), que isentou contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil e estabeleceu tributação mínima de até 10% sobre rendas mais elevadas.
No período, a dívida pública saltou de 71,4% do PIB em janeiro de 2023 para 78,7% do PIB em janeiro de 2026, com projeções do Tesouro Nacional indicando continuidade da trajetória de alta.
📊 Haddad atribuiu o avanço ao custo dos juros e ao passivo fiscal recebido do governo anterior.