Por mais um ano, a
renda fixa carregou o mercado de capitais brasileiro nas contas, o qual movimentou a cifra recorde de R$ 838,8 bilhões em 2025, avanço de +6,4% na comparação anual, conforme dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). E há motivos para continuar confiante em 2026.
Só em dezembro passado, os investidores aplicaram entre renda fixa e renda variável cerca de R$ 116,1 bilhões, o maior volume mensal já registrado da série histórica, iniciada em 2012. E justamente a prática de emprestar dinheiro diretamente às empresas em busca de receber generosos
juros compostos que explica o otimismo.
Afinal de contas, a grana direcionada para as novas
debêntures ao longo de 2025 foi de R$ 492,8 bilhões, superando em +4% o volume contabilizado em 2024 e todos os anos anteriores. O dinheiro emprestado pelos investidores de renda fixa às empresas foi direcionado principalmente para projetos de infraestrutura (35%) e pagamento de dívidas (26%).
Por sua vez, as
debêntures incentivadas, aquelas totalmente isentas da cobrança de imposto de renda (IR), também bateram recorde no período, angariando R$ 178 bilhões. A
Taesa (TAEE11), por exemplo, levanta muito dinheiro no mercado de capitais para bancar a construção de suas linhas de transmissão elétricas pelo Brasil com tais títulos de dívida corporativa isentos.
“Tamanho resultado se deve às condições favoráveis de mercado e às discussões sobre tributação, o que levou muitas companhias a anteciparem captações. Olhando para frente, temos boas expectativas para 2026, mas haverá a volatilidade natural de um ano eleitoral e temos todo um cenário externo que deve ser observado”, afirma Cesar Mindof, diretor da Anbima.
Renda fixa ganha mais liquidez
Ainda é muito difícil para os debenturistas resgatar antecipadamente o dinheiro emprestado às companhias antes do vencimento, seja pela necessidade do dinheiro naquele momento ou para aproveitar eventuais ganhos com marcação a mercado, caso se tenha adquirido debêntures por taxas elevadas e pouco tempo depois as mesmas tenham despencado.
Mas, no mercado secundário de renda fixa (ambiente em que o investidor negocia títulos de dívida mais antigos nas corretoras de valores), o valor negociado de debêntures saltou +33,9% e atingiu o montante recorde de R$ 947,4 bilhões, o que já corresponde a quase o dobro do volume dos títulos de dívida novos (o mercado primário), evidenciando a maturidade e melhora de liquidez.
Quem também vem de recordes são os
Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), que atraíram R$ 46,2 bilhões em 2025, com aumento de +11,1% na comparação anual. Enquanto as companhias do agronegócio adiantam recursos nas securitizadoras, em troca são colocados à disposição dos investidores tais títulos isentos, com o compromisso de juros compostos normalmente bem acima do
Tesouro Direto.
Enfim, as emissões de renda fixa no exterior atingiram US$ 31,6 bilhões em 2025 e registraram o maior volume desde 2014, com as empresas respondendo pela maior fatia (61,6%). Na análise do perfil dos prazos, os títulos com vencimento de 6 a 10 anos tiveram a maior participação (40,8%), com aqueles com vencimento em até 5 anos aparecendo em seguida (29,2%).