Renda fixa faz investimentos no Brasil baterem recorde; veja ranking da Anbima

Investidores resolveram emprestar muito dinheiro às empresas via CRAs, CRIs e debêntures.

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Publicado em 23/01/2026 às 17:03h - Atualizado 10 horas atrás Publicado em 23/01/2026 às 17:03h Atualizado 10 horas atrás por Lucas Simões
O mercado de capitais brasileiro movimenta quase R$ 840 bilhões em 2025, nível recorde (Imagem: Shutterstock)
O mercado de capitais brasileiro movimenta quase R$ 840 bilhões em 2025, nível recorde (Imagem: Shutterstock)
Por mais um ano, a renda fixa carregou o mercado de capitais brasileiro nas contas, o qual movimentou a cifra recorde de R$ 838,8 bilhões em 2025, avanço de +6,4% na comparação anual, conforme dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). E há motivos para continuar confiante em 2026.
Só em dezembro passado, os investidores aplicaram entre renda fixa e renda variável cerca de R$ 116,1 bilhões, o maior volume mensal já registrado da série histórica, iniciada em 2012. E justamente a prática de emprestar dinheiro diretamente às empresas em busca de receber generosos juros compostos que explica o otimismo. 
Afinal de contas, a grana direcionada para as novas debêntures ao longo de 2025 foi de R$ 492,8 bilhões, superando em +4% o volume contabilizado em 2024 e todos os anos anteriores. O dinheiro emprestado pelos investidores de renda fixa às empresas foi direcionado principalmente para projetos de infraestrutura (35%) e pagamento de dívidas (26%).
Por sua vez, as debêntures incentivadas, aquelas totalmente isentas da cobrança de imposto de renda (IR), também bateram recorde no período, angariando R$ 178 bilhões. A Taesa (TAEE11), por exemplo, levanta muito dinheiro no mercado de capitais para bancar a construção de suas linhas de transmissão elétricas pelo Brasil com tais títulos de dívida corporativa isentos. 
Ao todo, 26 setores da economia brasileira se financiaram via debêntures em 2025. Elétricas aparecem à frente com R$ 119,8 bilhões captados, seguido por transportes e logística (R$ 88,3 bilhões), financeiro (R$ 79,5 bilhões) e saneamento (R$ 44,5 bilhões). 
“Tamanho resultado se deve às condições favoráveis de mercado e às discussões sobre tributação, o que levou muitas companhias a anteciparem captações. Olhando para frente, temos boas expectativas para 2026, mas haverá a volatilidade natural de um ano eleitoral e temos todo um cenário externo que deve ser observado”, afirma Cesar Mindof, diretor da Anbima.

Renda fixa ganha mais liquidez

Ainda é muito difícil para os debenturistas resgatar antecipadamente o dinheiro emprestado às companhias antes do vencimento, seja pela necessidade do dinheiro naquele momento ou para aproveitar eventuais ganhos com marcação a mercado, caso se tenha adquirido debêntures por taxas elevadas e pouco tempo depois as mesmas tenham despencado.
Mas, no mercado secundário de renda fixa (ambiente em que o investidor negocia títulos de dívida mais antigos nas corretoras de valores), o valor negociado de debêntures saltou +33,9% e atingiu o montante recorde de R$ 947,4 bilhões, o que já corresponde a quase o dobro do volume dos títulos de dívida novos (o mercado primário), evidenciando a maturidade e melhora de liquidez.
Quem também vem de recordes são os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), que atraíram R$ 46,2 bilhões em 2025, com aumento de +11,1% na comparação anual. Enquanto as companhias do agronegócio adiantam recursos nas securitizadoras, em troca são colocados à disposição dos investidores tais títulos isentos, com o compromisso de juros compostos normalmente bem acima do Tesouro Direto.
Apesar de bem semelhantes, só que representativos do mercado imobiliário, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) somaram R$ 49 bilhões no ano passado, queda de -20,2% nesse comparativo. 
Enfim, as emissões de renda fixa no exterior atingiram US$ 31,6 bilhões em 2025 e registraram o maior volume desde 2014, com as empresas respondendo pela maior fatia (61,6%). Na análise do perfil dos prazos, os títulos com vencimento de 6 a 10 anos tiveram a maior participação (40,8%), com aqueles com vencimento em até 5 anos aparecendo em seguida (29,2%).