Poupança bate inflação em 2025, mas entrega metade do lucro do CDI

Com o IPCA acumulando 4,26% no ano, o ganho real da aplicação mais popular do Brasil foi de 3,77%, livre de imposto de renda.

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Publicado em 09/01/2026 às 19:24h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 09/01/2026 às 19:24h Atualizado 2 minutos atrás por Matheus Silva
Segundo o estudo, esse foi o maior ganho real da poupança desde 2006 (Imagem: Shutterstock)
Segundo o estudo, esse foi o maior ganho real da poupança desde 2006 (Imagem: Shutterstock)

💰 A caderneta de poupança encerrou 2025 com rendimento de 8,19% e voltou a superar a inflação oficial do país pelo quarto ano consecutivo.

Com o IPCA acumulando 4,26% no ano, o ganho real da aplicação mais popular do Brasil foi de 3,77%, livre de imposto de renda.

Segundo estudo de Einar Rivero, sócio e fundador da Elos Ayta, esse foi o maior ganho real da poupança desde 2006. Após ficar atrás da inflação entre 2019 e 2021, a aplicação voltou a apresentar desempenho positivo em termos de poder de compra.

CDI entregou retorno bem superior

Apesar do resultado favorável da poupança, o estudo aponta que outras alternativas conservadoras de renda fixa entregaram ganhos significativamente maiores em 2025. O CDI acumulou retorno bruto que superou a inflação em 9,65% ao longo do ano.

Mesmo após o desconto de imposto de renda de 17,5%, equivalente a aplicações com prazo de 360 dias, o ganho real líquido do CDI teria sido de 7,96%.

Esse patamar representa mais que o dobro do ganho real obtido pela poupança no mesmo período, considerando aplicações que rendessem 100% do CDI.

O desempenho superior não se restringe a 2025. Ao observar os últimos quatro anos, o CDI teria acumulado ganho real líquido de 26,82%, enquanto a poupança somou 11,83% no mesmo intervalo.

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Alternativas conservadoras mantêm vantagem

De acordo com o levantamento, aplicações como Tesouro Selic ou CDBs que acompanhem o CDI teriam proporcionado ganhos maiores ao investidor, mantendo nível semelhante de segurança.

Isso ocorre porque esses produtos contam com garantias como o Fundo Garantidor de Crédito até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

Mesmo rendimentos inferiores a 100% do CDI ainda teriam superado a poupança em diversos cenários.

Segundo o estudo, aplicações que pagassem mais de 70% do CDI ou títulos isentos, como LCI e LCA, com retorno acima de 60% do CDI, já apresentariam vantagem em termos de ganho real.

Selic elevada explica os resultados

O desempenho tanto da poupança quanto do CDI esteve diretamente ligado ao patamar elevado da taxa Selic, que permaneceu em 15% ao ano durante grande parte de 2025, o maior nível em duas décadas. Juros nominais altos tendem a ampliar a vantagem do CDI em relação à poupança.

Com a expectativa de queda dos juros ao longo de 2026, essa diferença pode diminuir, em parte por conta da isenção de imposto da caderneta.

Ainda assim, projeções indicam que a Selic deve encerrar o ano em torno de 12,5%, patamar que segue elevado.

Rivero observa que o desempenho recente da poupança contrasta com a década passada. Entre 2013 e 2021, a aplicação apresentou longos períodos de ganhos reais baixos ou negativos.

Segundo ele, em 2025 o cenário foi diferente, com inflação mais comportada e juros elevados permitindo uma recuperação parcial da rentabilidade real.

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Histórico reforça perda de competitividade

O estudo também destaca que a vantagem do CDI sobre a poupança é recorrente. Na série histórica de 2006 a 2025, o CDI superou a caderneta em todos os anos quando o critério analisado é o ganho real.

Mesmo fundos referenciados DI, que rendem cerca de 90% do CDI, teriam apresentado desempenho superior ao da poupança ao longo de toda a série, mantendo liquidez diária e risco considerado baixo.

Saídas da poupança continuam elevadas

Essa diferença de rentabilidade tem se refletido no comportamento dos investidores. Em 2025, a poupança registrou resgate líquido de R$ 85,568 bilhões, segundo dados do Banco Central do Brasil.

📊 Apesar de uma captação positiva de R$ 5,4 bilhões em dezembro, o resultado anual foi a terceira maior saída desde o início da série histórica, em 1995, ficando atrás apenas de 2023. O volume também superou com folga os resgates registrados em 2024.