📊 A semana foi agitada para os analistas do setor imobiliário, mas o pregão de sexta-feira (16) trouxe o veredito: o mercado esperava mais.
A
Direcional (DIRR3) foi a mais castigada, com queda de 5,70%, seguida pela
Lavvi (LAVV3), que recuou 3,56%, apesar de ter reportado números considerados sólidos por parte dos analistas.
O sentimento geral é de que, embora 2025 tenha sido um ano de crescimento robusto em lançamentos, a "velocidade de vendas" (VSO) começou a dar sinais de cansaço no último trimestre, especialmente no segmento de média e alta renda, onde os juros elevados continuam sendo um forte vento contrário.
Cyrela (CYRE3)
A maior incorporadora do país reportou vendas de R$ 2,5 bilhões no trimestre. O JPMorgan destacou que o número veio acima de suas projeções, mas o mercado focou na queda de 31% na comparação anual.
O Itaú BBA ressaltou que a Cyrela é "defensiva" por ter quase metade do resultado de 2026 atrelado a projetos de baixa renda. No entanto, a XP Investimentos classificou os dados como fracos, citando o desempenho abaixo do esperado na alta renda.
Direcional (DIRR3)
A Direcional viu suas ações sofrerem devido a uma VSO de 21,2%, considerada fraca por analistas. O Goldman Sachs apontou que as vendas ficaram 26% abaixo das estimativas.
A explicação da companhia foi a forte concentração de lançamentos em dezembro (R$ 717 milhões), que ainda não tiveram tempo de serem totalmente convertidos em vendas.
Apesar da queda, o Bradesco BBI e o Itaú BBA mantêm recomendação de compra, focando no potencial do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) para 2026.
Even (EVEN3) e Lavvi (LAVV3)
A Even teve um trimestre de forte retração nos lançamentos (-72% anual), o que o BBI considerou um impacto neutro, já que o ano como um todo foi de crescimento.
Já a Lavvi foi o destaque positivo operacional, com aceleração nos lançamentos e vendas, com uma VSO em alta.
O BBA elogiou a tração comercial da empresa, mas notou que o múltiplo da ação já está "exigente", o que pode ter motivado a realização de lucros (queda do papel) hoje.
O que esperar para 2026?
Apesar do fechamento negativo, o consenso entre os grandes bancos (JPMorgan, Goldman Sachs, Itaú BBA e BBI) ainda é majoritariamente de compra para a maioria desses papéis.
O argumento é o valuation. Muitas dessas empresas negociam a múltiplos de lucro baixos e possuem balanços sólidos.
📈 A aposta para 2026 é de que a eficiência operacional e a disciplina financeira (como visto na MRV e Cury) se tornem os grandes diferenciais para quem busca dividendos no setor.